Caminhadas específicas podem aliviar sintomas de depressão em apenas cinco semanas

A prática da caminhada nórdica, que envolve o uso de bastões, tem se mostrado eficaz na diminuição dos sintomas de depressão moderada a severa em um intervalo de apenas cinco semanas. Este resultado foi obtido através de uma pesquisa divulgada na revista Journal of Affective Disorders.

Originária da Finlândia, a caminhada nórdica começou como um treinamento para esquiadores de fundo durante o verão, mas atualmente conquistou adeptos que não são esquiadores, atraídos pelos seus benefícios à saúde. O objetivo dos pesquisadores era investigar se essa atividade poderia também ter um impacto positivo na saúde mental.

A pesquisa consistiu em um ensaio clínico randomizado que envolveu 64 adultos diagnosticados com depressão moderada a grave. Após dez semanas de caminhadas nórdicas supervisionadas, foi possível observar mudanças significativas no bem-estar emocional dos participantes. Os dados indicaram que aqueles que participaram das caminhadas apresentaram uma melhora considerável em comparação aos que não se envolveram em atividades físicas. A maior parte dessa evolução ocorreu rapidamente, nas primeiras cinco semanas do programa.

A depressão é reconhecida como o transtorno mental mais prevalentemente grave no mundo, afetando aproximadamente 5,7% da população adulta global. Este distúrbio vai além da simples tristeza; ele pode eliminar o prazer e o interesse em atividades anteriormente apreciadas. Suas consequências abrangem quase todas as áreas da vida, incluindo problemas digestivos, lapsos de memória e dificuldades nas tarefas cotidianas. Em sua forma mais intensa, a depressão pode levar a pensamentos e comportamentos suicidas.

Pesquisas anteriores já demonstraram que, além do tratamento profissional e medicamentoso, práticas como corrida, ciclismo e ioga podem auxiliar na redução dos sintomas depressivos. Dentre as diversas formas de exercício analisadas para esse fim, os exercícios aeróbicos parecem oferecer uma leve vantagem.

Embora seja amplamente reconhecido que a atividade física pode ajudar a mitigar os sintomas da depressão, ainda persiste a dúvida sobre a rapidez com que esses benefícios se manifestam.

As diretrizes atuais sugerem que os indivíduos precisam participar de programas de exercícios por vários meses para notar melhorias significativas. O estudo em questão buscou determinar se a caminhada nórdica poderia ser benéfica para a depressão e em quanto tempo essas melhorias seriam observáveis. Os bastões utilizados nessa modalidade foram projetados para transformar uma simples caminhada em um exercício mais completo, envolvendo até 90% da musculatura corporal.

Os pesquisadores selecionaram 64 adultos com diagnósticos de depressão moderada a severa que não realizavam atividades físicas regularmente. Esses participantes foram aleatoriamente divididos em dois grupos: um grupo com 48 pessoas focado na caminhada nórdica e outro grupo controle com 16 indivíduos.

No decorrer de dez semanas, o grupo da caminhada nórdica participou de sessões supervisionadas duas vezes por semana, cada uma com duração de uma hora. Um instrutor qualificado monitorou as atividades utilizando dispositivos para medir a frequência cardíaca e assegurar que todos mantivessem uma intensidade moderada durante os exercícios. Para avaliar o progresso dos participantes, foi utilizado o Inventário de Depressão de Beck-II em três momentos: antes do início do programa, na metade do período e ao final das dez semanas.

Os resultados evidenciaram que a caminhada nórdica teve um efeito positivo significativo sobre os sintomas depressivos. O programa supervisionado por dez semanas promoveu uma redução notável nos níveis de depressão entre os adultos envolvidos. Aqueles com diagnóstico mais grave apresentaram melhorias mais rápidas e acentuadas nas primeiras cinco semanas quando comparados aos participantes com depressão moderada.

No final do estudo, entre 35% e 53,6% dos indivíduos que participaram das caminhadas lograram alcançar a remissão dos sintomas, ou seja, suas condições melhoraram ao ponto de não serem mais classificadas como depressivas. Além disso, todos os participantes puderam desfrutar desses benefícios sem relatar lesões ou problemas relacionados à saúde durante o programa.

A equipe envolvida no estudo ressalta que esses achados sublinham a relevância da atividade física como uma abordagem simples e acessível para tratar a depressão. Os dados obtidos podem ser utilizados por formuladores de políticas públicas para apoiar iniciativas comunitárias voltadas à promoção do exercício físico como parte integral do cuidado com a saúde mental, ao invés de serem vistos apenas sob a ótica da saúde física.

By Canoas Informa

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