Brasil pretende criar um centro dedicado à gestão de crises em saúde pública

O Brasil está prestes a lançar, até o final deste ano, um novo centro dedicado ao gerenciamento de emergências em saúde pública. Denominado Cbesp (Centro Brasileiro de Emergências em Saúde Pública), essa iniciativa tem como objetivo preparar o país para enfrentar surtos, epidemias e crises sanitárias e climáticas futuras.

A proposta para a criação desse centro partiu do ITpS (Instituto Todos pela Saúde) e vem sendo estudada por especialistas de diversas instituições nos últimos anos. O intuito é estabelecer uma estrutura que siga as diretrizes do RSI (Regulamento Sanitário Internacional) e que esteja integrada ao Sistema Único de Saúde, sob a supervisão do Ministério da Saúde, com gestão a cargo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Segundo os planos, o financiamento das operações do centro será oriundo do Orçamento Geral da União. Além disso, há a intenção de buscar recursos adicionais por meio de parcerias internacionais e pela geração de receitas próprias.

Gerson Penna, presidente do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), comentou que o Cbesp funcionará em uma abordagem em rede, promovendo estreita colaboração com o Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais, universidades e instituições de pesquisa. Uma chave para essa iniciativa será a intersetorialidade, que incentivará a cooperação entre diferentes áreas governamentais — incluindo saúde, meio ambiente, agricultura, ciência e tecnologia — além da articulação com a sociedade civil.

Em entrevista, Penna ressaltou que a criação do centro almeja ser uma política contínua do Estado, evitando as oscilações que podem ocorrer devido a mudanças políticas, como as observadas durante a pandemia de covid-19.

“Estamos convencidos de que uma estrutura permanente focada na prevenção, preparação e resposta a emergências em saúde pública permitirá ao Brasil agir com mais agilidade diante das crises”, afirmou Penna.

<pEle também lembrou que a pandemia de covid-19 expôs as vulnerabilidades do sistema de saúde brasileiro, resultando em mais de 7 milhões de mortes no mundo todo, sendo 10% dessas ocorrências no Brasil.

“Apesar da força do SUS, enfrentamos desafios como falta de coordenação pelo governo federal, comunicação ineficaz e ataques à ciência. O novo centro oferecerá uma perspectiva nacional coesa e fundamentada nas melhores evidências científicas disponíveis, assegurando uma liderança robusta para evitar repetição dos erros passados”, destacou.

Dentre as responsabilidades do Centro estão o monitoramento de riscos e o desenvolvimento de estratégias para prevenir e controlar epidemias e pandemias futuras. Isso garantirá que o Brasil não reaja tardiamente às emergências sanitárias. O centro também terá a incumbência de implementar a Política Nacional de Emergências de Saúde Pública (Pnesp).

“O novo centro atuará em um contexto global cada vez mais complicado pelos desafios climáticos, desmatamento e grandes deslocamentos populacionais. Somente em 2024, o Brasil enfrentou simultaneamente uma das piores epidemias de dengue já registradas e surtos de mpox e oropouche, além da persistente ameaça da gripe aviária. O centro foi projetado precisamente para lidar com esse amplo leque de ameaças”, concluiu Penna.

Agilidade

A implementação desse centro possibilitará respostas mais rápidas e coordenadas diante de situações emergenciais, conforme afirmam seus criadores.

By Canoas Informa

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