Genomas alterados presentes nos tumores têm o potencial de direcionar tratamentos individualizados, levando em conta tanto a fase da enfermidade quanto as particularidades celulares do câncer. O tratamento para o câncer de pulmão é um dos que mais evoluíram no campo da oncologia, conforme destaca o médico Lucianno Santos, da Oncologia D’Or.
As modalidades terapêuticas tradicionais incluem cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Nos últimos anos, novos tratamentos foram adicionados para perfis específicos de pacientes, tais como a imunoterapia, a terapia-alvo molecular e os anticorpos conjugados a medicamentos.
No caso de Maria Angelina, o diagnóstico precoce do câncer resultou em um tratamento cirúrgico isolado. Ela passou por uma cirurgia robótica para a remoção do lobo inferior do pulmão esquerdo.
A cirurgiã torácica Letícia Lauricella, vinculada ao Hospital Samaritano e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), explica: “Na cirurgia robótica, o cirurgião é quem realiza a operação. O sistema robótico proporciona uma visão superior e instrumentos mais precisos, permitindo realizar o procedimento de forma mais exata e minimamente invasiva.”
Esse tipo de intervenção resulta em menor sangramento, reduz as probabilidades de complicações e alivia a dor no período pós-operatório. Maria compartilha sua experiência: “Foi bem mais tranquilo do que eu esperava. Permaneci no hospital por dois dias e meio. Na semana seguinte já iniciei a fisioterapia e um mês depois voltei à academia. Comecei devagar com movimentos leves; hoje já estou correndo.”
A prática regular de exercícios sempre fez parte da rotina dela, mas após a experiência preocupante com a saúde, isso se tornou uma prioridade. “Faço atividades físicas diariamente: musculação e trote leve (corrida), caminhadas de 5 a 6 km, hidroginástica e RPG (Reeducação Postural Global), que é uma técnica para correção postural”, afirma. “Não subestime uma simples gripe ou cansaço. Não hesite em buscar atendimento médico. Se houver algo errado, enfrentaremos juntos. Tenho 72 anos e estou aqui, ‘firme’.”
Terapia-alvo
Para situações mais críticas, onde há comprometimento dos linfonodos ou metástases, duas abordagens revolucionaram as taxas de sobrevida dos pacientes: a terapia-alvo, que utiliza testes moleculares para detectar mutações que podem ser tratadas com medicamentos específicos, e a imunoterapia, recomendada na ausência dessas mutações, utilizando fármacos que ativam o sistema imunológico contra o tumor. Letícia observa: “Atualmente vemos pessoas diagnosticadas em estágio metastático vivendo além de cinco ou seis anos. Isso era inimaginável há dez anos.”
Embora haja progresso significativo nas abordagens terapêuticas, Santos alerta que tratar câncer em estágios avançados ainda representa um alto custo financeiro. Assim sendo, é fundamental intensificar esforços para prevenir o tabagismo.






