Nesta segunda-feira (20), os preços do petróleo registraram uma alta superior a 5%, impulsionados por incertezas acerca das conversações para um cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, além de preocupações quanto ao trânsito da commodity no Estreito de Ormuz.
A principal rota marítima do Golfo Pérsico teve seu fechamento reestabelecido após o Irã decidir não reabrir a passagem. O presidente Donald Trump confirmou que as restrições impostas pela Marinha dos EUA aos portos iranianos continuam em vigor.
O petróleo Brent, que serve como referência internacional, subiu 5,6%, alcançando o valor de US$ 95,48 por barril, enquanto o WTI, a referência dos EUA, aumentou 6,9%, com preço de US$ 89,61 por barril.
Aumento das tensões
Esse aumento nos preços ocorre em um contexto de mensagens contraditórias e apreensões sobre a evolução do conflito no Oriente Médio.
<pEnquanto Trump declarou que um acordo com o Irã deve ser alcançado “relativamente rápido”, representantes iranianos expressaram sua preocupação com as dificuldades nas negociações diplomáticas.
Com apenas dois dias restantes para o frágil cessar-fogo, Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, comentou sobre as “contínuas violações” e “comportamentos ilegais e posições contraditórias” dos EUA, ressaltando que tais fatores constituem um “grande obstáculo” para a continuidade do diálogo diplomático.
No domingo (19), os Estados Unidos interceptaram e atacaram um navio cargueiro iraniano que, segundo Trump, tentava violar um bloqueio naval americano no Golfo de Omã.
O presidente explicou que a embarcação, chamada Touska, foi atingida após desobedecer uma ordem das forças norte-americanas para parar. Ele afirmou que um “buraco” foi aberto na casa de máquinas do navio.
“Atualmente, fuzileiros navais dos EUA estão responsáveis pelo controle da embarcação. O TOUSKA está sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA devido a um histórico prévio de atividades ilegais. Temos total domínio sobre o navio e estamos inspecionando sua carga”, afirmou.
Com tensões em alta, Teerã ameaçou retaliar e questionou sua participação nas novas rodadas de negociações de paz programadas para começar nesta segunda-feira. Contudo, algumas horas depois, o Paquistão informou à Reuters ter recebido um sinal positivo do Irã em relação à participação nas discussões.
Trump negou estar sob pressão para firmar um acordo com o Irã, mas indicou que houve progresso nas negociações. “Não estou sob pressão alguma; embora tudo deva acontecer relativamente rápido”, publicou em uma rede social.
Fontes da Al Jazeera relataram que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, deve chegar ao Paquistão nesta terça-feira (21) para participar de discussões vinculadas ao conflito.
