Todos os anos, mais de 840 mil pessoas, entre homens e mulheres, perdem a vida devido a questões relacionadas a riscos psicossociais no trabalho, incluindo longas jornadas, instabilidade no emprego e assédio, conforme dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O relatório intitulado “O ambiente de trabalho psicossocial: avanços globais e caminhos para a ação”, divulgado em abril pela OIT, aponta que essa realidade pode acarretar perdas financeiras que equivalem a 1,37% do PIB global anualmente.
No Brasil, em 2025, o Ministério da Previdência Social registrou a concessão de mais de 546 mil benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais, representando um aumento de 15% em comparação com o ano anterior. Segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os gastos com auxílios gerais saltaram quase 70%, passando de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024.
Com o intuito de enfrentar essa problemática, o MTE implementou alterações na Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que começaram a vigorar em maio. Essa norma obriga as empresas a mapear e mitigar os riscos à saúde mental de seus colaboradores. Multas poderão ser aplicadas às organizações que não aderirem às novas diretrizes após um período inicial de adaptação de 90 dias.
A psicóloga organizacional Patrícia Ansarah, fundadora do Instituto Internacional em Segurança Psicológica, afirma: “De forma geral, as empresas passam a ter responsabilidade não apenas por riscos físicos e químicos, mas também por aqueles de natureza psicossocial. Isso é extremamente benéfico para os trabalhadores.”
A NR-1 não faz distinções entre gêneros; no entanto, espera-se que suas diretrizes beneficiem principalmente as mulheres, que frequentemente enfrentam adversidades como desigualdade salarial e a necessidade de se desdobrar para serem reconhecidas. Em seu ebook “Além das Paredes – Mulheres, Trabalho e o que Não Se Separa”, Patrícia aborda essas questões.
A advogada Débora Cursine, especialista em direito empresarial e trabalhista, destaca que enquanto danos visíveis como uma corrosão na parede podem ser facilmente identificados durante uma inspeção fiscal, o sofrimento psicológico das mulheres não é tão óbvio. “Você não consegue vê-las; por isso, o critério na NR-1 será baseado na quantidade de atestados médicos de afastamento dentro das empresas”, explica.
Outro fator que pode acender um alerta nos fiscais é a alta rotatividade entre os funcionários. “Ninguém começa um emprego pensando em ficar apenas um mês”, observa Débora.
Nessa perspectiva, Débora enfatiza que as empresas que se adaptarem prontamente à NR-1 terão vantagens financeiras no longo prazo. “Proporcionar um ambiente saudável permite evitar processos judiciais e reclamações por danos morais que podem comprometer gravemente um negócio”, acrescenta.
Patrícia também recomenda que mulheres sobrecarregadas no trabalho adotem algumas práticas úteis. Além de responder aos questionários sobre saúde mental propostos pelas empresas, é aconselhável discutir com seus superiores as prioridades antes de aceitar novas tarefas.
Ela ressalta ainda a relevância da criação de canais de comunicação abertos nas empresas e ações voltadas à conscientização. “Sem segurança psicológica, as mulheres hesitarão em abordar esses assuntos”, conclui Patrícia. As informações foram extraídas do jornal Folha de S.Paulo.
