Argentina encerra 2025 com menor índice de inflação dos últimos oito anos

A Argentina fechou o ano de 2025 com uma inflação de 31,5%, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Esse resultado representa uma melhora significativa em relação aos 117,8% registrados em 2024 e é o menor valor desde 2017. Em dezembro, o indicador acelerou pelo quarto mês consecutivo, chegando a 2,8%, acima dos 2,5% registrados em novembro. Os dados do Indec mostram uma forte recuperação no índice oficial de preços ao longo de 2024, primeiro ano da gestão do presidente Javier Milei.

No entanto, no último ano, a taxa mensal permaneceu entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%. A situação mudou a partir de maio, quando os números apontaram para uma aceleração gradual da inflação.

O país enfrentou um processo de ajuste econômico sob a liderança de Milei. No segundo semestre de 2025, uma crise política afetou as expectativas e o presidente argentino buscou apoio nos Estados Unidos, com Donald Trump, para conter as instabilidades nos mercados e na taxa de câmbio.

A Argentina, já em recessão, implementou uma ampla reforma econômica. Após assumir o cargo em dezembro de 2023, Milei decidiu interromper obras federais e cessar o repasse de verbas para os Estados. Subsídios foram reduzidos em áreas como água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais. Isso resultou em um aumento significativo nos preços ao consumidor.

No primeiro semestre de 2024, houve uma intensificação da pobreza, atingindo 52,9% da população. No entanto, no primeiro semestre de 2025, esse percentual caiu para 31%.

Apesar das dificuldades, o presidente conseguiu superávits consecutivos e recuperou a confiança de parte dos investidores.

Crise política

No terceiro trimestre de 2025, a gestão de Milei enfrentou uma crise política intensa após um escândalo envolvendo Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente. Um áudio que a acusa de corrupção vazou para a imprensa e está sendo investigado pela Justiça.

Nesse período turbulento, Javier Milei sofreu uma derrota nas eleições da província de Buenos Aires em setembro, afetando diretamente o mercado financeiro. Os títulos públicos, as ações das empresas e o peso argentino despencaram após as eleições. O peso atingiu seu menor valor histórico, cotado a 1.423 por dólar, e ao longo de 2025 derreteu quase 40% em relação ao dólar, contribuindo para a inflação.

Apoio de Trump

O mercado demonstrou preocupação em relação à capacidade do governo de Milei de cumprir seus compromissos de cortes de gastos e reestruturação das contas públicas da Argentina. Isso resultou em quedas sucessivas do peso em relação ao dólar, levando o Banco Central da Argentina a intervir no câmbio para conter a desvalorização da moeda americana.

Para amenizar a situação, em outubro, Estados Unidos e Argentina oficializaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões, com a promessa de outro incentivo no mesmo valor, totalizando US$ 40 bilhões. Essas medidas visam aumentar as reservas argentinas em dólares e recuperar a confiança dos investidores.

Após o apoio financeiro de Donald Trump, Javier Milei obteve uma vitória nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado em outubro, o que contribuiu para conter a disparada do dólar e garantir a continuidade das reformas do governo atual.

By Canoas Informa

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