Anvisa estabelece restrições para uso de cúrcuma em suplementos devido a riscos hepáticos raros

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabeleceu novas diretrizes para suplementos alimentares que contêm cúrcuma, introduzindo limites de dosagem e a exigência de advertências nos rótulos.

A publicação dessa norma ocorreu na edição do Diário Oficial da União nesta quarta-feira (22) e surge após alertas sobre um risco raro de inflamação e lesões hepáticas associadas ao uso desses produtos.

Esta nova regulamentação altera as normas em vigor desde 2018 e, pela primeira vez, define uma faixa segura de consumo para compostos derivados da cúrcuma em suplementos, além de restringir o uso por grupos mais suscetíveis.

Os rótulos dos produtos deverão incluir uma advertência clara informando que não são recomendados para gestantes, lactantes, crianças e indivíduos com problemas hepáticos, biliares ou úlceras gástricas.

As empresas terão um prazo de seis meses para realizar as adaptações necessárias nas fórmulas e embalagens. Durante esse intervalo, poderão continuar a comercializar os produtos desde que as advertências sejam disponibilizadas em canais como sites e serviços de atendimento ao consumidor.

A decisão da Anvisa foi motivada por estudos internacionais que apontaram casos suspeitos de toxicidade hepática relacionados ao consumo de suplementos à base de cúrcuma, especialmente nas versões concentradas.

Autoridades sanitárias de países como França, Canadá, Itália e Austrália já haviam emitido alertas semelhantes após a notificação de efeitos adversos, incluindo casos de hepatite.

Conforme apontado pela Anvisa, o principal desafio está nas formulações que aumentam a absorção da curcumina – o componente ativo da cúrcuma –, resultando em uma quantidade maior processada pelo organismo.

A cúrcuma é uma planta amplamente utilizada como tempero e também encontrada em produtos comercializados como anti-inflamatórios naturais. Seu composto ativo principal, a curcumina, possui propriedades antioxidantes.

Entretanto, o problema surge quando a substância é consumida em altas concentrações, como em cápsulas ou extratos. Nesses casos, o fígado – responsável pela metabolização de compostos químicos – pode reagir inflamatóriamente, levando a uma condição conhecida como hepatite medicamentosa.

Embora o risco seja considerado raro, ele se intensifica em situações como uso prolongado, ingestão elevada ou combinação com outros medicamentos.

Consumo na alimentação permanece seguro

A Anvisa destacou que essa nova regulamentação não impacta o uso da cúrcuma como tempero. Quando utilizada nas quantidades normais na alimentação, a substância é considerada segura. A medida se aplica exclusivamente aos suplementos que apresentam doses muito maiores do composto ativo.

By Canoas Informa

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