“Acusação de chanceler russo sobre Ucrânia tentar atacar residência de Putin é negada por Zelensky”

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, acusou nessa segunda-feira (29) a Ucrânia de ter tentado atacar a residência do presidente Vladimir Putin na região de Novgorod, entre Moscou e São Petersburgo, afirmando que, devido à ação, o Kremlin está revisando sua posição nas atuais negociações de paz lideradas pelos EUA. Segundo o chanceler russo, o ataque foi lançado entre o domingo e essa segunda-feira com 91 drones de longo alcance, destruídos pelas defesas aéreas do país.

“Tais ações inconsequentes não ficarão sem resposta”, disse Lavrov, acrescentando que já foram escolhidos alvos para retaliar ao que classificou como “terrorismo de Estado”.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou a acusação de mentira, afirmando que Moscou se prepara para atacar prédios governamentais em Kiev. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que lidera as negociações pelo fim da Guerra na Ucrânia, criticou o suposto ataque:

“Sabe quem me contou? O presidente Putin, hoje de manhã. Ele disse que foi atacado. Isso não é legal”, afirmou Trump a repórteres em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, acrescentando que estava “muito irritado com isso”. “É um momento delicado. Não é o momento certo. Uma coisa é ser ofensivo, porque eles são ofensivos. Outra coisa é atacar a casa dele. Não é o momento certo para fazer nada disso.”

As declarações de Lavrov foram feitas um dia após Zelensky se reunir com o presidente americano na Flórida, onde afirmaram que o acordo para encerrar o conflito estava próximo. O presidente americano disse que, após falar com líderes europeus, 95% dos pontos estavam resolvidos, acrescentando que uma ou duas questões sensíveis continuavam em aberto. Uma delas diz respeito à cessão territorial à Rússia.

Em um breve comentário à imprensa nessa segunda-feira, o principal porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o governo russo confirmava a fala de Trump de que o acordo de paz estava “mais perto do que nunca”. A parte russa não detalhou o que impede uma trégua imediata, mas o governo russo já deixou claro que não concorda com a presença de tropas internacionais no território ucraniano e exige a entrega do Donbass.

Nessa segunda-feira, o líder ucraniano afirmou que Kiev suspenderá a lei marcial em vigor desde o início da guerra com a Rússia assim que o conflito terminar e os aliados do país confirmarem sólidas garantias de segurança, apontando que Trump, propôs uma de 15 anos – o que foi considerado insuficiente pelo ucraniano.

“Realmente queria que essas garantias fossem maiores. E disse a ele (a Trump) que realmente queremos considerar a possibilidade de 30, 40, 50 anos”, disse Zelensky em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira, acrescentando que a proposta original do presidente americano oferecia possibilidade de prorrogação aos 15 anos propostos.

Ainda conforme o presidente ucraniano, as garantias de segurança são uma condição para que a Ucrânia suspenda a lei marcial – legislação que proíbe homens de 25 a 60 anos deixem o país, já que podem ser recrutados. Também apontou como essencial o fim do conflito.

“Em primeiro lugar, todos queremos que a guerra termine, e só então a lei marcial será suspensa. Este é o único caminho. No entanto, o fim da lei marcial acontecerá quando a Ucrânia obtiver garantias de segurança”, disse Zelensky. “Sem elas, não se pode considerar que essa guerra tenha realmente terminado. Não podemos aceitar que tenha terminado porque, com um vizinho assim, continua existindo o risco de outra agressão.”

Aos jornalistas, Zelensky ainda afirmou que qualquer acordo para pôr fim à guerra deveria ser assinado por quatro partes, EUA, Ucrânia, Europa e Rússia, e reiterou a presença de tropas estrangeiras no país como uma garantia básica de segurança.

By Canoas Informa

Você pode gostar