Lideranças da União Europeia (UE) não conseguiram desbloquear a assinatura imediata do acordo comercial com o Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse aos demais líderes de países do bloco que tomou a decisão de adiar o cronograma até janeiro, segundo relatos.
O acordo enfrentou um revés político com a mudança de posição da Itália, que passou a postular pelo adiamento, juntando-se à objeção da França e colocando o tratado em risco às vésperas da data prevista para a assinatura.
As negociações de livre comércio entre os blocos, em andamento há mais de duas décadas, foram um dos temas em discussão na reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, que foi palco de protestos de agricultores contrários ao tratado. Os manifestantes bloquearam vias, realizaram atos de vandalismo e confrontaram a polícia.
Apesar dos esforços nos bastidores e dos apelos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para convencer líderes europeus, a votação do acordo ainda estava incerta. O presidente brasileiro havia mencionado a possibilidade de abrir discussões com os demais presidentes do Mercosul caso a posição de bloqueio na Europa prevalecesse.
Com a maioria qualificada necessária para a aprovação do acordo, 15 países europeus representando pelo menos 65% da população teriam que votar a favor. No entanto, a objeção de algumas nações importantes poderia ser suficiente para barrar o tratado.
