O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou o desejo de conversar diretamente por telefone com o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, de acordo com informações divulgadas pelo site Axios, especializado em política norte-americana.
Essa declaração ocorreu no mesmo dia em que o governo dos EUA adicionou oficialmente o Cartel de los Soles à sua lista de grupos terroristas. Esta organização venezuelana é acusada de tráfico de drogas e é liderada por Maduro, de acordo com Washington.
A intenção de estabelecer um canal de comunicação direta é uma ação diplomática da Casa Branca em meio a um aumento das tensões com Caracas. A Marinha dos EUA reforçou sua presença no Caribe e vem realizando operações contra embarcações suspeitas de serem utilizadas por traficantes de drogas na região.
Segundo uma autoridade não identificada que falou ao Axios, “Ninguém está planejando invadir ou sequestrar Maduro – por enquanto. Não está nos planos atuais”.
A data para a realização da ligação ainda não foi definida.
Um funcionário da Casa Branca afirmou ao site que as operações secretas têm como objetivo combater o tráfico de drogas, não eliminar Maduro. No entanto, a possibilidade de Maduro deixar o poder não seria lamentada.
Desde o início das tensões, tem havido especulações de que os EUA poderiam buscar a remoção de Maduro do poder na Venezuela por meio de uma ação militar, incluindo uma invasão terrestre.
A designação do Cartel de los Soles como organização terrorista permitiria aos EUA atacar alvos relacionados a Maduro dentro do território venezuelano, de acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump. Ainda que ele tenha dito que essa não é sua intenção, afirmou que todas as opções estão sendo consideradas.
O governo venezuelano acusa os EUA de promover uma mudança de regime na Venezuela com essa classificação, uma acusação considerada “ridícula” por Maduro. Washington também acusa o Cartel de los Soles de colaborar com a gangue venezuelana Tren de Aragua no tráfico de drogas para os EUA.
Maduro nega as acusações e a existência do Cartel de los Soles, que também é contestada por especialistas. Desde setembro, os EUA aumentaram sua presença militar na região, enviando oito navios de guerra, caças F-35 e o maior porta-aviões do mundo, Gerald Ford, para o Caribe.
As autoridades americanas alegam que as operações têm o objetivo de combater o tráfico de drogas na região. Desde o início das ações, foram realizados pelo menos 21 ataques contra supostas embarcações de narcotráfico, resultando na morte de 83 pessoas.
No entanto, especialistas questionam a classificação do governo dos EUA. De acordo com eles, Maduro não seria o líder do Cartel de los Soles, pois a organização não possui uma estrutura hierárquica definida, sendo composta por membros de diferentes patentes militares e setores políticos da Venezuela. Ainda assim, há indícios de que Maduro se beneficia de uma estrutura criminal que ajudou a estabelecer no país.
Segundo Jeremy McDermott, cofundador do InSight Crime, organização que estuda o crime organizado nas Américas, Maduro e os chavistas não controlam diretamente o tráfico de drogas, mas se beneficiam dele e distribuem concessões para manter o poder.
