Saúde

Novo tratamento de injeção bissemanal contra o HIV poderá custar até R$ 20,9 mil no Brasil

Por Canoas Informa 3 min de leitura

O lenacapavir, um medicamento injetável de longa duração voltado à prevenção do HIV, já possui seus preços máximos estabelecidos para os consumidores no Brasil: R$ 20,9 mil por cada injeção, que deve ser administrada a cada seis meses.

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) definiu esses valores, marcando um avanço na introdução do fármaco no mercado nacional. Essa decisão vem aproximadamente nove meses após a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o uso da substância como método preventivo contra o HIV.

Embora o preço esteja cadastrado no sistema oficial de consulta da Anvisa, isso não implica que o medicamento já esteja disponível nas farmácias. A empresa responsável, Gilead Sciences, ainda precisa organizar a logística para distribuição e comercialização do produto, que é conhecido comercialmente como Sunlenca.

Considerado uma das mais significativas inovações recentes na luta contra o HIV, o lenacapavir se difere dos medicamentos tradicionais de profilaxia pré-exposição (PrEP), que exigem uso diário. Este novo tratamento oferece proteção com apenas duas aplicações semestrais realizadas por profissionais de saúde na região abdominal.

A Anvisa autorizou seu uso preventivo em janeiro deste ano para adultos e adolescentes com idade a partir de 12 anos e peso mínimo de 35 quilos. Pesquisas clínicas submetidas à agência mostraram resultados de eficácia que chegaram a 100% em um dos grupos analisados.

Entretanto, para que o lenacapavir chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS), são necessárias etapas adicionais. O medicamento deverá passar pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e também obter uma decisão favorável do Ministério da Saúde.

A definição do preço pela CMED não deve ser confundida com as negociações realizadas pelo ministério. Enquanto a Câmara estabelece um teto para os preços no mercado nacional, o Ministério da Saúde discute valores que podem ser adotados para sua incorporação ao SUS.

Em declarações recentes, o Ministério da Saúde indicou que está avaliando a possibilidade de disponibilizar o lenacapavir no SUS como uma opção para pessoas que encontram dificuldades em manter a adesão à medicação diária.

Um acordo firmado entre a Gilead e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) abriu novas possibilidades para fornecer lenacapavir a diversos países latino-americanos, incluindo o Brasil.

No entanto, os detalhes sobre preços ou prazos específicos para fornecimento ao Brasil não foram divulgados publicamente. O Ministério da Saúde já havia tentado negociar diretamente com a fabricante em julho passado, mas as tratativas não resultaram em sucesso.

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