Na terça-feira (13), o cantor Netinho faleceu em decorrência de um linfoma não-Hodgkin do tipo B. Uma nota publicada no perfil oficial do artista no Instagram informou que sua condição evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Em 2022, o cantor foi hospitalizado após sentir intensas dores nas costas e apresentar perda dos movimentos das pernas. Com um histórico de três acidentes vasculares cerebrais e a colocação de cinco stents, Netinho já havia enfrentado três cirurgias cerebrais e vivia com uma válvula cerebral permanente.
Os linfomas são tumores que afetam o sistema linfático, uma rede composta por órgãos, tecidos e vasos que desempenha papéis cruciais na regulação de fluidos corporais, absorção de gorduras e na defesa imunológica.
Esses tumores podem ser classificados em dois tipos: Hodgkin, que é menos comum e geralmente atinge jovens entre 15 e 25 anos, além de adultos com idades entre 50 e 60 anos; e não-Hodgkin, que afeta predominantemente pessoas idosas. Há também diversos subtipos de linfomas — como o tipo B, que foi diagnosticado em Netinho — cada um apresentando características, comportamentos e opções de tratamento distintos.
“Os linfonodos estão presentes em todo o corpo humano, portanto a doença pode se manifestar em qualquer região”, comentou o médico Ricardo Bigni, chefe da Hematologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em uma matéria anterior.
No Brasil, o Inca projeta cerca de 3.070 novos casos de linfoma de Hodgkin e aproximadamente 12.560 de linfoma não-Hodgkin anualmente. A entidade observou que o número de casos tem dobrado nos últimos 25 anos, especialmente entre indivíduos acima dos 60 anos.
Sintomas
Este tipo de câncer pode apresentar sintomas semelhantes aos de outras doenças, conforme alerta Mariana Oliveira, onco-hematologista da Oncoclínicas. Isso resulta em diagnósticos tardios: cerca de 58% dos pacientes são diagnosticados com a doença em estágios avançados, segundo pesquisa realizada pelo Observatório de Oncologia entre os anos de 2008 e 2017. O tempo médio para obter um diagnóstico de linfoma no Brasil pode alcançar até 149 dias, conforme estudo da Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale).
Os sinais comuns da doença incluem inchaço dos gânglios linfáticos (também conhecidos como ínguas) nas axilas, virilha ou pescoço, dor abdominal e coceira. Outros sintomas que podem surgir são:
- Febre persistente;
- Suar à noite a ponto de molhar os lençóis;
- Perda inexplicada de peso;
- Cansaço extremo.
Ainda não existem métodos preventivos bem definidos para esse tipo de câncer devido à falta de compreensão sobre as causas que levam ao seu surgimento; no entanto, a detecção precoce é crucial para aumentar as chances de sucesso no tratamento.
“Uma boa notícia é que os linfomas apresentam alto potencial curativo”, ressalta a médica.
Tratamentos
Tanto os linfomas Hodgkin quanto os não-Hodgkin possuem subtipos específicos com características clínicas distintas e prognósticos variados. Portanto, não existe um tratamento padrão; normalmente ele envolve quimioterapia, radioterapia ou uma combinação das duas abordagens”, explica Mariana.
Em certas situações, pode ser indicada a terapia-alvo molecular, que foca em moléculas específicas na superfície das células doentes. Esse método utiliza proteínas desenvolvidas em laboratório para identificar e eliminar as células cancerosas no organismo.
A depender da gravidade dos tumores e da eficácia das medicações utilizadas, pode ser necessário considerar um transplante de medula óssea.
Diante do aumento na incidência da doença, novas opções terapêuticas estão sendo desenvolvidas para tratar os linfomas, especialmente aqueles resistentes aos tratamentos convencionais. “A medicina tem progredido significativamente nos últimos anos por meio da terapia celular”, afirma a onco-hematologista.
<pEla menciona o autotransplante como uma abordagem inovadora promissora; nesse procedimento é aplicada uma quimioterapia intensiva seguida pela infusão da medula do próprio paciente.
A imunoterapia também se destaca como uma alternativa eficaz. Com resultados positivos demonstrados por estudos internacionais renomados, essa abordagem estimula o sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater células tumorais. “Simplificando bastante, podemos dizer que os imunoterápicos desativam os receptores nos linfócitos permitindo assim que as células malignas sejam identificadas novamente pelo organismo. Isso faz com que o corpo retome sua luta contra o tumor sem causar os efeitos colaterais típicos das outras medicações frequentemente utilizadas nos tratamentos”, explica Mariana.





