Um grupo de congressistas americanos enviou uma missiva ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, expressando inquietação em relação às tentativas de interferência nas eleições brasileiras. No documento, encaminhado na quinta-feira (29), os parlamentares acusam a administração Trump de pressionar instituições do Brasil, o que poderia comprometer a parceria estratégica entre os dois países.
Na carta, os legisladores solicitam que os Estados Unidos se comprometam a reconhecer e respeitar os resultados das eleições agendadas para outubro.
A correspondência, assinada por 30 deputados e um senador, menciona que desde 2025 a gestão Trump tem implementado ações econômicas, diplomáticas e políticas adversas ao Brasil. Entre essas medidas, destacam-se:
- As duas edições do tarifaço sobre produtos brasileiros;
- As sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, assim como a outros integrantes da corte e do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT);
- A designação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Os parlamentares criticam o uso de tarifas e sanções como formas de pressão em relação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, questionando também os critérios legais utilizados para aplicar a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
O texto ressalta: “As ações do governo Trump constituíram uma violação extraordinária da soberania nacional do Brasil e uma tentativa flagrante de pressionar as autoridades brasileiras em um processo judicial em andamento.”
Além disso, os congressistas observam que o Departamento de Estado decidiu classificar o PCC e o CV como terroristas após um encontro entre o candidato presidencial e senador Flávio Bolsonaro com Trump.
De acordo com os parlamentares, essa decisão foi tomada sem considerar as propostas do governo Lula para uma cooperação bilateral. Eles ainda expressam preocupações quanto à possibilidade de sanções financeiras extraterritoriais ou até mesmo intervenção militar, citando declarações da ex-porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, sobre o “poderio militar” dos EUA.
A carta também menciona a recusa do Itamaraty em conceder visto a dois oficiais do Departamento de Estado (Riley Barnes e Samuel Samson), que seriam acusados de tentar desacreditar a integridade do sistema eletrônico de votação brasileiro.
Por fim, os parlamentares criticam a retaliação por parte do governo americano ao revogar o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti. As informações foram divulgadas pelo portal G1.












