Sofrendo com prisão de ventre? Descubra 5 alimentos que podem fazer a diferença

Um estudo recente que explora métodos baseados em evidências para o tratamento da prisão de ventre destaca a ameixa seca e o kiwi como frutas benéficas. Publicado na revista científica Proceedings of the Nutrition Society, a pesquisa pode beneficiar de 10% a 30% da população global, que, conforme estimativas, enfrenta problemas de constipação.

A definição de constipação pode variar bastante, mas os médicos utilizam critérios específicos, incluindo um método chamado classificação Roma. Entre os aspectos considerados estão a frequência das evacuações — geralmente inferior a três vezes por semana — e as características das fezes, que costumam ser secas e duras. “A dificuldade para evacuar também é um sinal importante”, explica Bruna Vailati, coloproctologista no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Essa condição pode afetar pessoas de diversas idades e perfis, mas as mulheres tendem a apresentar mais casos devido à influência hormonal que afeta a absorção de líquidos no trato digestivo. “Além disso, fatores culturais fazem com que elas evitem utilizar banheiros fora de casa, o que agrava ainda mais o problema”, observa a coloproctologista Maria Julia Segantini, integrante da Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

Os idosos também são bastante afetados pela constipação, uma vez que a elasticidade da musculatura intestinal diminui com a idade, prejudicando os movimentos responsáveis pela eliminação das fezes.

Prevenir a constipação é crucial para garantir uma boa qualidade de vida. “Lidar com essa condição pode minimizar desconfortos abdominais e prevenir complicações como hemorroidas e disbiose”, afirma Durval Ribas Filho, nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

O termo disbiose refere-se ao desequilíbrio na microbiota intestinal, onde micro-organismos patogênicos superam os benéficos. Isso pode comprometer a permeabilidade intestinal e permitir que micróbios nocivos entrem na corrente sanguínea, provocando inflamações e outros problemas.

O humor também pode ser afetado não apenas pelos desconfortos físicos associados à constipação, mas também porque neurotransmissores importantes são produzidos no intestino. A serotonina é um exemplo; embora não atravesse a barreira hematoencefálica (que protege o cérebro), ela está envolvida na transmissão de sinais relacionados ao bem-estar. Por isso, o termo “enfezado” é frequentemente associado à constipação.

“A saúde do intestino tem reflexos diretos na imunidade”, afirma Vanderlí Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFIT).

Estudos mostram que uma microbiota equilibrada ajuda na regulação das respostas imunológicas, reduzindo o risco de infecções oportunistas como resfriados. Além disso, a absorção de vitaminas e minerais essenciais para o sistema imunológico tende a ser mais eficiente.

A boa saúde intestinal também está ligada à diminuição do risco de tumores; esse tema foi discutido no 73º Congresso Brasileiro de Coloproctologia realizado no início de setembro. De acordo com as descobertas mais recentes da ciência, recomenda-se que as evacuações ocorram preferencialmente a cada 48 horas. Quanto mais eficiente for o trânsito intestinal, menor será o contato das mucosas do órgão com substâncias nocivas presentes nas fezes.

“Uma outra recomendação apresentada no congresso é manter uma boa hidratação”, relata Maria Julia. A quantidade ideal de água varia conforme o perfil individual e as atividades diárias; especialmente em épocas quentes, é aconselhável consumir mais de dois litros por dia.

A falta de água no organismo pode causar endurecimento das fezes, dificultando os movimentos peristálticos do intestino e tornando tudo mais lento.

O sedentarismo também deve ser combatido: “A prática regular de atividade física melhora a motilidade intestinal e ajuda a manter a integridade da barreira intestinal”, comenta Ribas Filho. Contudo, é importante lembrar que exagerar na intensidade ou duração dos exercícios pode prejudicar a microbiota intestinal.

Outro ponto negativo é o uso indiscriminado de laxantes ou chás laxativos sem orientação médica. O uso prolongado desses produtos pode causar inflamações e fazer com que o intestino dependa do estímulo medicamentoso para funcionar adequadamente. Se houver desconforto frequente ao evacuar, procurar um médico é essencial para receber um tratamento adequado.

Ignorar os sinais do corpo também agrava a situação: “É fundamental atender ao impulso natural do corpo sempre que sentir vontade”, aconselha Bruna.

Tirar um tempo para ir ao banheiro pode ser benéfico; isso depende muito da rotina pessoal. Para muitos indivíduos, evacuar logo após o café da manhã se torna uma prática confortável antes de iniciar as atividades diárias.

Por fim, um dos principais agravantes da constipação é uma dieta pobre em fibras — essas substâncias são grandes aliadas nesse contexto. “As fibras solúveis e insolúveis são essenciais para manter o intestino saudável”, afirma Fernanda Maluh, nutricionista do Hospital Oswaldo Cruz.

No geral, as fibras auxiliam na formação adequada do bolo fecal e melhoram os movimentos intestinais. As fibras solúveis se dissolvem em água formando um gel no trato digestivo; elas ajudam na consistência das fezes tornando-as mais macias. Exemplos incluem frutas frescas, vegetais e aveia.

As fibras insolúveis estão presentes nas cascas dos frutos e nos farelos dos cereais; elas estimulam a mucosa intestinal promovendo um trânsito mais rápido das fezes pelo intestino.

A nutricionista Juliana Kato da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também menciona fibras fermentáveis com ação prebiótica que favorecem o desenvolvimento de micro-organismos benéficos: “Essas fibras ajudam na produção de ácidos graxos de cadeia curta que protegem a mucosa intestinal”, explica Juliana. Dessa forma, essas fibras contribuem significativamente para combater a prisão de ventre.

A seguir estão alguns alimentos considerados excelentes aliados na regularização do funcionamento intestinal:

  • Ameixa seca: Rica em fibras e outras substâncias benéficas contra a prisão de ventre como sorbitol — um composto que estimula os movimentos intestinais,” diz Fernanda. No entanto, deve-se ter cuidado com as quantidades consumidas; excessos podem causar cólicas especialmente se não houver hidratação adequada. Além disso, frutas secas são bastante calóricas.
  • Cereais integrais: Aveia e trigo (especialmente em forma de farelo) contêm fibras insolúveis que ajudam na formação do bolo fecal além de promoverem movimentos intestinais eficazes. A aveia também possui betaglucana — uma fibra solúvel que contribui para amolecer as fezes formando um gel no trato digestivo — mas todos esses benefícios dependem da ingestão adequada de água.
  • Banana-da-terra: Seja assada ou cozida em purê no café da manhã, essa fruta ajuda significativamente no trânsito intestinal devido ao seu amido resistente — especialmente quando ainda verde — sendo fermentado no intestino grosso onde mantém o equilíbrio da microbiota.
  • Café: Essa bebida favorece contrações intestinais que ajudam na eliminação do bolo fecal. Embora a cafeína seja responsável por esse efeito positivo, outros compostos presentes no café têm mostrado benefícios à microbiota intestinal em estudos publicados na revista Nature Microbiology relacionando polifenóis como ácidos clorogênicos à proliferação bacteriana benéfica.
  • Kiwi: Outra fruta rica em fibras conhecida também por conter actinidina — uma enzima estudada por seu impacto positivo na motilidade intestinal — além disso é excelente fonte de vitamina C com propriedades antioxidantes protetoras ao intestino.”
By Canoas Informa

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