Câncer: Uma Ameaça Global que Pode Alcançar 92% da População nos Próximos Anos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, nos próximos anos, o câncer se tornará uma experiência quase universal. Um estudo recente da entidade revela que 92% da população global será afetada pela doença, seja por meio de um diagnóstico pessoal ou ao ter alguém próximo recebendo tratamento oncológico — incluindo pais, parceiros, filhos e irmãos. A pesquisa também sugere que uma em cada cinco pessoas enfrentará um diagnóstico de câncer nos anos vindouros.

O relatório, que foi divulgado mundialmente ontem, indica que os casos de câncer deverão quase dobrar até 2050. A projeção é de que o número de diagnósticos suba de 20,6 milhões em 2024 para 35 milhões em duas décadas, representando um aumento de 70%.

No documento, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, menciona que a ampliação da vacinação contra o HPV e iniciativas para controle do tabagismo têm trazido resultados positivos na redução dos casos. No entanto, ele alerta que o câncer continua a ser uma “crise global em evolução”.

“Enquanto algumas emergências de saúde se manifestam rapidamente, outras progridem lentamente. Isso não as torna menos devastadoras. Os dados deste relatório evidenciam que o câncer é uma crise global em evolução”, afirmou no material. “Em todos os tipos de câncer e nas diversas fases do cuidado oncológico, as melhorias estão sendo distribuídas de forma desigual e profundamente injusta, tanto entre nações quanto internamente.”

A desigualdade mencionada por Tedros é corroborada por dados sobre a expectativa de vida após um diagnóstico oncológico. O relatório revela que a taxa de sobrevivência em cinco anos para o câncer de mama ultrapassa 85% em países com alta renda, enquanto em várias nações de baixa renda esse índice fica abaixo dos 30%.

O documento aponta que essa disparidade está relacionada à dificuldade no acesso a serviços de saúde adequados. Atualmente, menos de um terço dos países inclui tratamentos oncológicos nas suas coberturas de saúde. Isso significa que muitos cuidados essenciais não estão disponíveis para a maior parte da população.

Investir nessa área é crucial não apenas do ponto de vista social; também gera impactos econômicos significativos para os sistemas de saúde. Segundo o relatório, cada dólar destinado à prevenção e ao controle do câncer pode resultar em um retorno econômico de US$ 9,50.

Entre 2020 e 2050, espera-se que o efeito do câncer nos países represente cerca de 0,55% do produto interno bruto (PIB) mundial. Grande parte dessa taxa deve-se à perda da produtividade resultante de mortes prematuras e incapacitação provocada pela doença.

Estilo de vida
O relatório sublinha que quase 40% dos novos casos de câncer são preveníveis adotando hábitos saudáveis e evitando fatores de risco. Entre esses fatores estão o tabagismo, infecções, consumo excessivo de álcool e obesidade. O uso do tabaco está ligado a vários tipos diferentes da doença, como os cânceres de pulmão, laringe e esôfago. Especialistas afirmam que manter um estilo de vida saudável não só reduz a incidência da doença como também beneficia aqueles já em tratamento oncológico.

Por outro lado, a pesquisa apresenta dados otimistas: a média global do uso do tabaco está diminuindo. Conforme informações da OMS, em 2005 cerca de 29,4% das pessoas com 15 anos ou mais eram fumantes (45% dos homens e 13% das mulheres). Em 2024 essa proporção caiu para 19,5% (32,5% dos homens e 6,6% das mulheres), com uma tendência contínua de queda em todas as regiões.

Fernando Maluf, oncologista e diretor médico associado do Centro de Oncologia da BP – A Beneficência Portuguesa em São Paulo e cofundador do Instituto Vencer o Câncer, explica que o aumento nos casos de câncer é bem documentado na literatura científica e vem se intensificando ao longo do tempo.

— A cada dez anos observamos um crescimento entre 10% a 20%, dependendo da região geográfica e do tipo tumoral. As principais razões são duas: primeiro, o aumento na expectativa de vida populacional — sabemos que a doença é mais prevalente após os 50 ou 60 anos; com o envelhecimento da população há maior suscetibilidade — explica Maluf. — O segundo fator é relacionado ao estilo de vida; a obesidade está crescendo mundialmente assim como dietas inadequadas. A poluição ambiental e infecções também contribuem para criar um cenário cada vez mais propício ao desenvolvimento do câncer.

By Canoas Informa

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