A creatina se consolidou como um dos suplementos mais populares nas academias globalmente. Embora existam alegações sobre suas propriedades anti-inflamatórias, uma nova pesquisa divulgada na revista Frontiers in Immunology revela que, na realidade, esse efeito não é observado no corpo humano.
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizaram uma revisão sistemática com meta-análise e não encontraram evidências robustas que sustentassem esse benefício. Segundo Vitor Engracia Valenti, coordenador do estudo, muitos acreditam na ação anti-inflamatória da creatina com base em resultados de estudos em animais ou células isoladas, mas essas descobertas da pesquisa básica nem sempre se aplicam aos efeitos clínicos em humanos.
A investigação indicou que a creatina apresentou efeitos anti-inflamatórios apenas em um cenário específico: atletas que seguiram protocolos de alta dosagem (próximos a 20 gramas diárias por cinco dias) após realizarem exercícios intensos, como triatlos, mostraram diminuição nos marcadores inflamatórios.
No entanto, essa situação não foi replicada em outros casos. Os cientistas também destacaram a ausência de alterações significativas ou impacto do suplemento na inflamação em nível molecular. Os biomarcadores mais frequentemente observados na pesquisa foram a PCR e a interleucina-6 (IL-6), que mostraram reduções mínimas entre os participantes.
Valenti ressalta: “Com esses achados, sugerimos a realização de mais ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo para validar as informações obtidas. Este estudo serve como um incentivo à comunidade científica, ressaltando a necessidade de investigações mais abrangentes sobre o assunto.”
Além disso, o estudo afirma que a creatina é geralmente segura e bem tolerada por diferentes grupos populacionais, incluindo indivíduos com doenças pré-existentes e idosos.
“A creatina pode auxiliar na força e no desempenho muscular durante atividades físicas e, em algumas situações, contribuir indiretamente para a funcionalidade. Contudo, é crucial consultar um médico, nutricionista ou educador físico antes de iniciar seu uso, pois as necessidades variam entre os indivíduos”, conclui Valenti.
Qual é a função da creatina?
A creatina consiste em uma combinação de aminoácidos produzidos pelo organismo e também pode ser adquirida através do consumo de carne vermelha, peixe e frango. No corpo humano, atua como uma fonte de energia para os músculos esqueléticos e pode favorecer o crescimento muscular quando associada ao exercício.
Essa substância é armazenada principalmente nas fibras musculares, enquanto uma quantidade menor é direcionada ao cérebro. O corpo repõe naturalmente a creatina nos músculos ao longo do dia; no entanto, os suplementos podem ajudar a “encher o tanque”.
A dose média recomendada gira em torno de três gramas diárias, embora possa variar conforme as necessidades individuais. Geralmente, seus efeitos começam a ser percebidos após três semanas de uso contínuo. Portanto, não existe um horário fixo recomendado para sua ingestão. Como a maioria das versões está disponível em pó, é necessário dissolvê-la em água ou outra bebida de preferência.
Antes de iniciar o uso do produto, é essencial buscar orientação médica ou nutricional.
