Entre janeiro e maio deste ano, o Brasil registrou 505 óbitos devido à síndrome respiratória aguda grave (SRAG) vinculados aos vírus Influenza A e B, conforme informações do Ministério da Saúde. Destes, 136 falecimentos, representando 27% do total, foram confirmados nas últimas duas semanas.
É importante ressaltar que esses registros não necessariamente indicam que os óbitos aconteceram nesse intervalo, mas sim que a causa foi identificada recentemente.
No mesmo período de 2025, o país contabilizou 776 mortes relacionadas à SRAG provocadas pela influenza.
Entretanto, especialistas alertam que a quantidade de falecimentos associados ao vírus pode ser ainda maior.
Isto se deve ao fato de que 1.344 mortes por SRAG ocorridas neste ano não tiveram o agente causador definido — além da influenza, outros vírus como covid-19, rinovírus e o vírus sincicial respiratório (VSR) também podem provocar a síndrome respiratória aguda grave.
Os dados também mostram um aumento no número total de casos em comparação com o ano anterior. Em 2026, até agora, foram registrados 7.749 casos de SRAG relacionados à influenza, sendo 256 devido ao vírus H1N1, 1.903 ao H3N2, 4.892 a Influenza A não subtipada e 698 a Influenza B.
No mesmo período de 2025, o total de casos registrados foi de 6.250.
No último sábado (30), a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe foi finalizada com uma cobertura bem abaixo da expectativa: apenas 38,5% do público-alvo formado por crianças com menos de seis anos, idosos e gestantes foi vacinado. A meta estabelecida era alcançar uma taxa de imunização de 90%, algo que o Brasil não atinge desde 2021.
Médicos consultados afirmam que o aumento dos casos nesta época é esperado devido à sazonalidade dos vírus respiratórios, comum durante os meses de outono e inverno.
As temperaturas mais baixas e o clima seco favorecem a disseminação dos vírus, uma vez que as pessoas tendem a ficar mais tempo em ambientes fechados e suas vias respiratórias tornam-se mais suscetíveis.
Neste ano específico, observou-se uma antecipação na sazonalidade da gripe em diversas regiões do país, contribuindo para um aumento nos casos graves e internações nas semanas recentes.
A antecipação da sazonalidade viral pode ser influenciada por diversos fatores como variações climáticas abruptas, baixa imunidade entre a população e maior movimentação das pessoas — fatores que facilitam a circulação do vírus.
Isso pode gerar a percepção de que a gripe está “mais intensa” este ano; no entanto, segundo especialistas, não há evidências que indiquem um aumento na letalidade do vírus.
“Inicialmente, não há indícios significativos de mudanças no perfil viral em comparação ao ano anterior. As cepas detectadas continuam similares às observadas em 2025”, afirma Juliana Lapa, infectologista e integrante do Comitê de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Ela acrescenta que os números seguem um padrão semelhante ao verificado em anos anteriores tanto em relação à quantidade de casos quanto à gravidade deles.
Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas e Grupo Santa Joana, ressalta que as características do hospedeiro são fundamentais para definir a severidade da infecção.
Crianças pequenas, idosos e indivíduos com condições preexistentes como diabetes ou asma — além daqueles que fumam — podem apresentar quadros clínicos mais graves.
“Coinfecções também podem ocorrer quando uma pessoa contrai mais de um vírus simultaneamente, o que também agrava as situações”, complementa.
Porto Alegre
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre decidiu ampliar nesta segunda-feira (1º) a vacinação contra a gripe para toda a população acima de seis meses. Essa decisão segue orientações da Secretaria Estadual da Saúde visando aumentar a proteção contra a influenza durante este período crítico com maior circulação dos vírus respiratórios.
A vacina estará disponível em todas as unidades de saúde com salas dedicadas à vacinação, dependendo da disponibilidade das doses. Apesar dessa ampliação no acesso à vacina, a SMS enfatiza a importância dos grupos prioritários procurarem se imunizar — especialmente crianças entre seis meses e menores de seis anos, gestantes e idosos — pois suas taxas vacinais ainda estão aquém do esperado.
“A chegada do inverno intensifica a circulação dos vírus respiratórios e receber a vacina é essencial para prevenção. Embora estejamos estendendo o acesso para todos os cidadãos, pedimos atenção especial às crianças pequenas, gestantes e idosos para garantir sua proteção”, destaca Fernando Ritter, secretário municipal da Saúde.
A vacinação contra a influenza representa uma das principais estratégias para diminuir os casos graves da doença e prevenir complicações sérias que podem levar à hospitalização ou mesmo ao óbito associado às infecções respiratórias. A campanha seguirá enquanto houver doses disponíveis. Para se vacinar é necessário apresentar um documento de identidade e preferencialmente a caderneta de vacinação. O conteúdo aqui apresentado é baseado em informações oficiais fornecidas pela prefeitura local.
