Atividade física pode liberar hormônio que ajuda a prevenir doenças neurodegenerativas

Um recente estudo sugere explicações sobre como a prática de exercícios físicos pode aliviar sintomas neurológicos em indivíduos com esclerose múltipla. A pesquisa, conduzida por cientistas do Mass General Brigham, associado à Universidade Harvard, e da Universidade Medical Center Hamburg-Eppendorf (UKE), analisou a influência do hormônio irisina, que está ligado à atividade física, em um modelo animal da doença.

Os achados, publicados na revista Nature Metabolism, revelaram que a irisina é capaz de atenuar tanto os sintomas clínicos quanto a degeneração neuronal no modelo experimental. Ademais, ao se remover a irisina, os benefícios protetores associados ao exercício foram eliminados. Esses resultados indicam que a irisina pode desempenhar um papel na proteção dos neurônios contra a neurodegeneração provocada pela inflamação, o que abre possibilidades para o desenvolvimento de novas terapias para esclerose múltipla.

“Estamos esperançosos de que nossa pesquisa pave o caminho para o uso da irisina como uma opção terapêutica, especialmente para a esclerose múltipla progressiva”, afirma Christiane D. Wrann, neurocientista e autora principal do estudo. Ela lidera o Programa de Neuroproteção no Exercício do Mass General Brigham Neuroscience Institute e também está vinculada ao McCance Center for Brain Health do Massachusetts General Hospital. “Os dados obtidos reforçam a ideia de que a irisina pode ser benéfica na proteção neuronal em diversas doenças neurodegenerativas.”

A esclerose múltipla é uma condição crônica e autoimune que resulta em danos às bainhas de mielina que envolvem os neurônios no cérebro e na medula espinhal. Enquanto as terapias disponíveis atualmente conseguem reduzir a inflamação, elas não evitam adequadamente a neurodegeneração. Estudos anteriores indicaram que exercícios aeróbicos podem proporcionar melhorias nos sintomas, mas os mecanismos subjacentes ainda carecem de elucidação.

Wrann e sua equipe já haviam demonstrado anteriormente que a irisina, um hormônio liberado pelos músculos durante atividades físicas, pode beneficiar tanto a função cognitiva quanto reduzir a neuroinflamação em modelos animais da doença de Alzheimer.

No trabalho atual, os pesquisadores identificaram evidências adicionais sobre os efeitos neuroprotetores da irisina. Em modelos experimentais de esclerose múltipla, constataram que eliminar a irisina interrompeu os efeitos benéficos do exercício; por outro lado, reintegrar esse hormônio resultou na recuperação dos neurônios e na melhora dos resultados relacionados à doença. A irisina mostrou-se eficaz na diminuição da perda neuronal em três áreas do sistema nervoso central: medula espinhal, hipocampo e retina, além de minimizar a perda sináptica e restaurar um perfil genético neuroprotetor.

“Consideramos especialmente intrigante o fato de uma molécula gerada pelo exercício ser capaz de proteger diretamente os neurônios em um modelo animal da esclerose múltipla. Isso revela um novo mecanismo pelo qual a atividade física pode impactar a neurodegeneração nessa condição”, comenta Sina C. Rosenkranz, autor principal e chefe do grupo de Intervenções Comportamentais no Instituto de Neuroimunologia e Esclerose Múltipla (INIMS) da UKE.

“Curiosamente, neste estudo não observamos um efeito direto da irisina sobre a imunidade periférica; os resultados mostraram efeitos protetores diretos nos neurônios”, acrescenta Ruxandra F. Sîrbulescu, coautora sênior do trabalho e neuroimunologista no Instituto de Neurociências Brigham do Mass General.

Os pesquisadores ressaltam que são necessárias investigações adicionais para compreender plenamente como funciona o mecanismo protetor da irisina. Eles também enfatizam que os benefícios derivados do exercício na esclerose múltipla são complexos e provavelmente envolvem diversos fatores além da própria irisina. A equipe tem planos para continuar explorando os efeitos e mecanismos desse hormônio em estudos futuros.

By Canoas Informa

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