Neste domingo (5), o braço militar do Hamas declarou que discutir o desarmamento da organização antes que Israel execute completamente a primeira fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza, mediado pelos Estados Unidos, representa uma tentativa de perpetuar o que chamaram de genocídio contra os palestinos. Em um discurso transmitido pela televisão, Abu Ubaida, porta-voz do grupo, afirmou que a abordagem sobre as armas “de forma grosseira” não será tolerada.
O desarmamento do Hamas se revela como um importante empecilho nas negociações para a implementação do plano de paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para Gaza. Esse plano visa consolidar um cessar-fogo que interrompeu dois anos de intensos conflitos desde outubro passado. Segundo três fontes próximas às discussões, o Hamas deixou claro aos mediadores que não irá debater a entrega das armas sem garantias de que Israel se retirará completamente de Gaza.
Ubaida alertou que as imposições feitas pelo “inimigo” à resistência palestina, através dos mediadores, são extremamente perigosas. Ele reforçou que as demandas de desarmamento são apenas uma manifestação evidente da continuidade do genocídio contra o povo palestino, algo que não será aceito sob nenhuma circunstância. Não ficou claro imediatamente se essas declarações configuram uma rejeição formal ao plano apoiado pelos EUA para o desarmamento, e autoridades políticas do Hamas não responderam às solicitações de comentários.
Desde a implementação do cessar-fogo, tanto o Hamas quanto Israel têm se acusado mutuamente de infringir os termos acordados. O porta-voz pediu aos mediadores que pressionem Israel a honrar seus compromissos na primeira fase do plano de Trump antes que qualquer conversa sobre a segunda fase possa ser considerada.
“O inimigo é quem está comprometendo o acordo”, enfatizou Ubaida. As autoridades israelenses ainda não se pronunciaram sobre as declarações feitas.
Na mesma data, um ataque israelense atingiu um grupo de civis em Gaza, resultando na morte de quatro pessoas e ferindo outras. A Defesa Civil e um hospital local confirmaram a operação que ocorreu antes do amanhecer em um bairro localizado no leste da Cidade de Gaza. “Um ataque aéreo israelense realizado antes do amanhecer ceifou quatro vidas e deixou várias pessoas feridas”, informou a Defesa Civil, que atua como equipe de resgate sob comando do Hamas.
O hospital Al Shifa confirmou os números e relatou que o ataque foi efetuado por um drone israelense. “Quatro mártires e cinco feridos foram levados ao hospital na manhã de hoje após um drone israelense ter disparado dois mísseis contra civis”, declarou a instituição. Por sua vez, o Exército israelense afirmou em comunicado ter identificado uma “célula terrorista” que representava uma “ameaça imediata”, justificando assim o “ataque seletivo para eliminar essa ameaça”.
Ainda com o cessar-fogo vigente, Israel tem realizado ataques em diversas áreas da Gaza, resultando na morte de pelo menos 715 pessoas desde o início da trégua em 10 de outubro, conforme dados fornecidos pelo Ministério da Saúde local, também sob controle do Hamas. As Nações Unidas consideram essas informações confiáveis. Em contrapartida, Tel Aviv relatou a morte de cinco soldados desde o início da trégua.
A crise entre Hamas e Israel teve início após ataques transfronteiriços realizados por homens ligados ao grupo contra o sul israelense, desencadeando uma ofensiva devastadora por parte das forças israelenses que resultou no deslocamento massivo da população de Gaza e deixou sérios danos na região, com mais de 70 mil mortos.
