A situação humanitária em Cuba alcançou um novo nível de gravidade, caracterizada por apagões extensos, escassez de alimentos, falência dos serviços públicos e um sistema de saúde que opera à beira do colapso. Uma reportagem especial do repórter Caio Saad, publicada na revista Veja, ilustra um país em rápida deterioração, exacerbada por questões internas e pressões externas.
No programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o cenário foi descrito como uma “terra arrasada”. Durante a atração, Saad detalhou as duras condições enfrentadas pela população e os bastidores da crise atual.
– Como é viver em meio a apagões frequentes? A vida cotidiana dos cubanos agora gira em torno da falta de eletricidade. Segundo Saad, os cidadãos enfrentam cerca de 18 horas sem energia elétrica diariamente. Sem ventiladores ou ar-condicionado, muitos buscam alívio nas ruas.
Os alimentos são consumidos rapidamente para evitar desperdício, enquanto velas, baterias e pequenos painéis solares se tornaram itens imprescindíveis. A carência de combustível também tem paralisado serviços essenciais como a coleta de lixo e o transporte, intensificando o quadro de precariedade.
– O sistema de saúde está à beira do colapso? A crise energética impacta diretamente hospitais e clínicas. De acordo com o repórter, médicos têm sido forçados a realizar procedimentos cirúrgicos sem anestesia, na tentativa de preservar os insumos limitados para situações mais críticas. Medicamentos que precisam ser refrigerados estão em risco constante de degradação devido à falta de energia elétrica – além disso, o diesel necessário para os geradores é tanto caro quanto escasso.
– O que está por trás do agravamento da crise? Um dos fatores principais identificados é a interrupção no fornecimento de petróleo da Venezuela, que historicamente foi crucial para a economia cubana. “O petróleo venezuelano sempre foi vital para o regime cubano”, comentou o repórter. Com essa redução no suporte energético, Cuba agora depende de um sistema obsoleto e sobrecarregado que produz apenas cerca de 40% da energia que realmente necessita.
– A assistência internacional é suficiente para ajudar? Os esforços externos têm se mostrado insuficientes para melhorar a situação. Apesar de países como o México terem enviado alimentos e equipamentos, há receios sobre o aumento do envio de petróleo devido ao risco de sanções dos Estados Unidos sob a influência do ex-presidente Trump. O petróleo oriundo da Rússia chega em quantidades insuficientes para atender à demanda da ilha.
– Quem os cubanos responsabilizam pela crise? As opiniões entre a população estão divididas e também refletem uma diferença geracional. Conforme relatado por Saad, os mais velhos tendem a culpar o embargo americano pela situação atual, enquanto os jovens expressam maior descontentamento com o regime vigente. “Todos os cubanos com quem conversei anseiam por mudanças”, afirmou.
– Em que a crise atual se difere das anteriores? Enquanto antes as dificuldades eram generalizadas, atualmente observa-se uma crescente desigualdade. Aqueles que recebem apoio financeiro do exterior conseguem acessar o mercado paralelo e atenuar os efeitos da escassez. Por outro lado, a maior parte da população enfrenta grandes dificuldades para assegurar itens básicos.
– O que a realidade cubana revela? A situação atual não apenas expõe uma crise econômica profunda, mas também um colapso estrutural que afeta todas as áreas da vida diária. Entre apagões frequentes, escassez alimentar e deterioração dos serviços públicos, Cuba vive um momento crítico repleto de incertezas e desigualdades crescentes, além de um desejo abrangente por mudanças significativas.
