A discussão sobre o uso de medicamentos que contêm semaglutida, como Wegovy e Ozempic, ganhou novo impulso após a divulgação de um estudo internacional que sugere uma possível ligação entre esses fármacos e um aumento significativo no risco de perda de visão, com algumas situações apresentando até sete vezes mais probabilidade.
O estudo recente, veiculado na revista JAMA Ophthalmology em 2023, revisou registros de eventos adversos e constatou que pacientes sob tratamento com essas medicações podem ter uma maior incidência de uma condição rara conhecida como neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica. Essa patologia é decorrente da diminuição do fluxo sanguíneo ao nervo óptico, resultando em perda súbita e, em muitos casos, irreversível da visão.
Os dados obtidos indicam que os usuários de Wegovy, cuja indicação principal é para emagrecimento, apresentam um risco consideravelmente elevado em comparação aos que utilizam Ozempic, destinado ao controle do diabetes tipo 2. Em algumas análises específicas, o risco foi estimado em várias vezes superior entre os grupos estudados.
Além disso, investigações anteriores já tinham apontado que medicamentos dessa mesma classe poderiam elevar entre quatro e sete vezes a possibilidade de desenvolvimento dessa condição ocular em relação a outras opções terapêuticas.
Diante dessas evidências alarmantes, as agências reguladoras começaram a prestar mais atenção ao assunto. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou um alerta e determinou a adição do aviso sobre o risco de neuropatia óptica nas bulas dos medicamentos contendo semaglutida.
Embora essa ocorrência seja considerada bastante rara, sua gravidade torna o tema clinicamente relevante. Estimativas sugerem que essa condição pode afetar uma pequena fração dos pacientes ao longo do tratamento. Especialistas em oftalmologia enfatizam que qualquer sinal de alteração visual súbita, como visão turva ou perda parcial do campo visual, deve ser encarado como uma emergência médica.
Nesse cenário, a Sorigs (Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul) reforçou a importância da vigilância adequada durante o uso dessas medicações. “O uso desses fármacos deve ser sempre acompanhado por um médico e realizado sob prescrição adequada, especialmente para pacientes com fatores de risco. A avaliação oftalmológica regular é crucial para detectar precocemente qualquer alteração e assegurar uma maior segurança no tratamento”, afirmou o presidente da entidade, Guilherme Dihl.
