O Ministério da Saúde divulgou uma campanha inédita para promover a doação de órgãos, com um investimento de R$ 20 milhões para melhorar a comunicação com as famílias e ampliar os procedimentos. Apesar de o Brasil ser o terceiro país do mundo em número absoluto de transplantes, ficando atrás apenas dos EUA e China, possui o maior sistema público de transplantes, realizando 80% deles pelo SUS.
No entanto, mesmo com 14,9 mil transplantes realizados somente no primeiro semestre deste ano, cerca de 80 mil pessoas aguardam na fila e 45% das famílias ainda se recusam a autorizar a doação de órgãos. É essencial que os possíveis doadores conversem abertamente com suas famílias sobre essa decisão, já que, no momento do falecimento, a autorização cabe aos familiares.
O superintendente do Hospital do Rim em São Paulo, José Medina Pestana, aponta que a principal razão para as recusas é a falta de conhecimento dos familiares sobre a vontade do possível doador. Portanto, é fundamental reforçar essa informação entre os parentes.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destaca a importância de transmitir às famílias a seriedade e confiabilidade do Programa Nacional de Transplantes. Para aqueles que aceitam realizar a doação, a oportunidade de “ver esse ente querido continuar vivendo em três, quatro pessoas que serão salvas com essa doação” é ressaltada.
O evento de lançamento da campanha no Hospital do Rim, em São Paulo, marcou a assinatura da portaria que estabelece a Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT). Pela primeira vez, essa política é detalhada em uma portaria específica desde a criação do sistema em 1997.
A PNDT define os princípios e diretrizes do Sistema Nacional de Transplantes, enfatizando a ética, transparência, respeito ao anonimato e acesso gratuito pelo SUS. Entre as novidades, a regulamentação dos transplantes de intestino delgado e multivisceral no SUS destaca-se, assegurando tratamento completo para pacientes com falência intestinal em centros autorizados em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Além disso, a utilização da membrana amniótica para crianças queimadas promove a cicatrização, reduzindo riscos de infecções e dores. A prova cruzada virtual para avaliação da compatibilidade entre doador e receptor, critérios para pacientes hipersensibilizados e o teste de quimerismo para transplantes de medula óssea também são mencionados.
A iniciativa, que envolve um investimento de R$ 20 milhões anuais para fortalecer o Sistema Nacional de Transplantes, destina a maior parte dos recursos para inclusão de novos procedimentos, como transplantes de membrana amniótica e multivisceral. Uma parcela significativa é voltada ao Prodot, a fim de aumentar a taxa de doação de órgãos no país.
