O presidente Donald Trump já declarou: “Cuba é a próxima”. Embora não tenha especificado um cronograma ou estratégia para uma possível intervenção na ilha, seu governo busca urgentemente uma vitória em política externa antes das eleições do Congresso americano em novembro. Atualmente, há negociações em curso entre Washington e Havana. Quanto mais ágeis forem esses diálogos, melhor será para os cubanos que enfrentam uma grave crise econômica.
Durante seu primeiro mandato, Trump alterou drasticamente a relação com o regime cubano, revertendo a política de aproximação promovida pelo ex-presidente Barack Obama. Ele impôs diversas restrições ao comércio e às viagens, além de incluir Cuba na lista de países que os EUA acusam de apoiar o terrorismo. Neste segundo mandato, o presidente americano implementou em janeiro um bloqueio energético, dificultando a venda de petróleo ao regime cubano por países fornecedores. Recentemente, um petroleiro russo conseguiu atracar no país caribenho, possivelmente para evitar tensões com Moscou. No entanto, essa carga isolada pouco fará para aliviar a grave escassez de combustíveis que afeta a economia da ilha.
A situação no Irã tem se mostrado desastrosa para Trump. O conflito elevou os preços dos combustíveis nos EUA, contribuindo para a inflação e criando divisões dentro da base republicana. Como resultado, a popularidade do presidente caiu significativamente; atualmente, apenas 41,6% dos americanos aprovam sua gestão, segundo as médias das pesquisas compiladas pelo site RealClearPolitics. Essa queda na aceitação torna desafiador para o Partido Republicano manter sua maioria nas próximas eleições de novembro. As pesquisas apontam que os democratas podem conquistar a Câmara dos Representantes e até mesmo o Senado.
As opções de Trump e do Partido Republicano para reverter essa imagem negativa até o final do ano são limitadas. É improvável que consiga uma vitória clara no Irã; apesar da morte do líder supremo iraniano, não houve mudança de regime e o país continua firme em suas posições. Além disso, não parece haver perspectivas de melhora significativa na economia americana nos próximos meses; pelo contrário, os efeitos do aumento nos preços do petróleo tornam o futuro ainda mais incerto. Nesse contexto, Cuba surge como uma possível alternativa política.
Diferente do Irã e da Venezuela, que dispõem de vastas reservas energéticas, Cuba oferece pouco em termos econômicos aos Estados Unidos. Contudo, possui relevância simbólica: desde a década de 1960, diversas administrações americanas tentaram sem sucesso mudar o regime comunista cubano. Se Trump conseguir essa mudança, terá um importante argumento para apresentar aos eleitores, especialmente aos milhões de americanos com raízes latinas.
Mas qual é realmente o objetivo de Trump em relação a Cuba? A experiência adquirida com a Venezuela e o Irã sugere que ele não deve considerar enviar tropas para derrubar o governo cubano — isso seria arriscado durante uma campanha eleitoral. Trump parece estar satisfeito apenas com um governo que seja favorável aos interesses americanos e que abra espaço para negócios com empresas dos Estados Unidos. Esse cenário poderia incluir a saída do atual presidente cubano Miguel Díaz-Canel como uma exigência de Washington para avançar nas negociações com Havana. Tal troca permitiria ao presidente americano afirmar que houve mudança no governo cubano, similar às alegações sobre Venezuela e Irã. Para alcançar esse objetivo, Trump deve utilizar todas as formas possíveis de pressão econômica, incluindo o bloqueio energético.
Em entrevista à NBC News, quando questionado sobre a possibilidade de renunciar ao cargo para salvar o país, Díaz-Canel reafirmou sua posição: “Não vou renunciar. Temos um Estado livre e soberano; gozamos de autodeterminação e independência e não estamos subordinados aos interesses dos EUA”, declarou ele. “Os líderes em Cuba não são escolhidos pelo governo americano nem têm mandato desse governo.”
No entanto, é importante ressaltar que os líderes cubanos também não foram escolhidos pelos cidadãos locais devido à falta de eleições livres no país.
O regime comunista demonstrou preferir sacrificar o bem-estar da população em vez de abrir mão do controle total sobre o poder. Isso ficou evidente durante o chamado “período especial” nos anos 90, quando a queda da União Soviética mergulhou Cuba em sua pior crise econômica até então. Mesmo assim, a liderança cubana se negou a promover reformas políticas ou econômicas que poderiam ter atraído investimentos externos necessários para recuperar a economia.
