Trump provoca instabilidade econômica global com escalada da guerra no Irã após tarifaço e operação militar na Venezuela

Após uma série de eventos tumultuados, como o tarifaço em abril de 2025 e a operação militar na Venezuela que capturou o presidente Nicolás Maduro em janeiro, o governo Donald Trump desencadeou nova turbulência na economia global com a guerra contra o Irã, iniciada há uma semana em conjunto com Israel. Os impactos negativos incluem aumento nos custos de transporte do comércio global, inflação em alta devido ao aumento das cotações do petróleo, juros mais altos em todo o mundo, adiamento de investimentos e desaceleração da economia global.

Por outro lado, empresas petroleiras e gigantes do transporte marítimo podem sair beneficiadas. Países exportadores de petróleo, como o Brasil nos últimos anos, tendem a ser menos afetados.

A Europa é uma das economias mais afetadas. Desde que parou de comprar gás natural da Rússia após a invasão russa na Ucrânia em 2022, os europeus passaram a importar GNL (gás natural liquefeito) transportado em navios. No ano passado, as importações de GNL na Europa aumentaram 30%, com 77,5% das compras fornecidas pelos EUA, de acordo com a Standard & Poor’s (S&P). A nova guerra fez os preços dispararem, com contratos futuros de gás natural na Europa caminhando para um aumento de 60% na semana, de acordo com a agência Bloomberg.

Rotas comerciais

Além da dependência do gás e do petróleo, a Europa está localizada em rotas comerciais fundamentais para o comércio global, que são afetadas pela guerra, segundo Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), especialista em comércio exterior.

O Aeroporto Internacional de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, é o segundo maior do mundo em termos de passageiros, com 92,3 milhões em 2024, de acordo com o Conselho Internacional de Aeroportos (ACI), enquanto o terminal de Doha, no Catar, é o oitavo maior em termos de cargas. O Canal de Suez, no Egito, conecta o Mediterrâneo ao Mar Vermelho e, em seguida, ao Oceano Índico, ligando a Europa e a Ásia, enquanto o Estreito de Ormuz, que dá acesso ao Golfo Pérsico, é por onde passam 20% do petróleo e gás mundial.

No entanto, de acordo com a MTM Logix, especializada no monitoramento de embarques internacionais, essas rotas marítimas estão bloqueadas devido à escalada da guerra, assim como milhares de voos foram cancelados nos centros de distribuição de voos no Oriente Médio.

Sobretaxas de guerra

Como resultado, desde o fim de semana passado, as principais empresas de navegação começaram a aplicar “sobretaxas de guerra” em seus fretes. A empresa francesa CMA CGM suspendeu as operações em todos os portos do Oriente Médio e começou a aplicar uma taxa entre US$ 2 mil e US$ 4 mil por contêiner. A empresa dinamarquesa Maersk suspendeu o transporte de cargas refrigeradas e especiais para lá e comunicou sobre possíveis variações nas tarifas. Outras concorrentes, como a suíça MSC, seguiram o mesmo caminho.

Alta do petróleo

Outra consequência do conflito é o aumento nas cotações do petróleo. O barril do Brent ultrapassou os US$ 90 na sexta-feira (6). Isso gera inflação no mundo, seja diretamente nos preços dos combustíveis, pressionando o orçamento das famílias em vários países, seja indiretamente, através do aumento dos custos de transporte de mercadorias repassados aos consumidores.

De acordo com Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, um aumento de 10% no preço do petróleo resulta em um acréscimo de 0,15 a 0,40 ponto percentual na inflação global. Como resultado, bancos centrais ao redor do mundo poderão ser obrigados a restringir as políticas monetárias, elevando as taxas de juros ou evitando quedas.

Erosão da ordem global

Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da UFRJ, aponta que, embora o Brasil como exportador de petróleo possa se sair “menos pior” a médio prazo, os riscos são maiores devido ao novo capítulo de erosão da ordem global causado pela guerra, semelhante ao tarifaço. Ao abandonar as instituições de governança e ignorar o Direito Internacional, Trump está inaugurando um mundo de desordem, semelhante à segunda metade do século XIX, que resultou nas duas Grandes Guerras.

Delorme Prado questiona a segurança do Brasil diante desse cenário, levantando a possibilidade dos EUA reivindicarem parte do petróleo do pré-sal no futuro. (As informações são de O Globo)

By Canoas Informa

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