O cardeal italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, buscou representantes americanos na Santa Sé no final do ano passado para tentar mediar um asilo para o ditador Nicolás Maduro na Rússia. Segundo informações obtidas por jornalistas, a conversa aconteceu na véspera de Natal. Parolin convocou Brian Burch, embaixador dos EUA na Santa Sé, para conhecer os planos dos Estados Unidos na Venezuela.
Embora tenha confirmado as negociações durante o período natalino, o Vaticano declarou que é “decepcionante que partes de uma conversa confidencial tenham sido divulgadas sem refletir com precisão o conteúdo”. O Departamento de Estado americano e o porta-voz do Kremlin optaram por não comentar.
Documentos oficiais e entrevistas com quase 20 fontes anônimas corroboram a abordagem de Parolin. Durante a conversa com Burch na Cidade do Vaticano, Parolin questionou se os EUA de fato buscavam uma mudança de regime, insistindo em uma solução pacífica, mas reconhecendo que Maduro precisava deixar o poder.
O cardeal mencionou um rumor sobre a disposição da Rússia em abrir mão da Venezuela em troca de benefícios em outros cenários internacionais. Ele ressaltou a importância de uma transição sem instabilidade e derramamento de sangue no país latino-americano. Parolin, que já atuou como embaixador do Vaticano em Caracas, possui um interesse especial na situação da Venezuela.
Após as polêmicas eleições de 2024, em que Maduro foi declarado vencedor sem apresentar provas exigidas pela legislação venezuelana, surgiram especulações sobre uma possível renúncia do ditador. Parolin demonstrou preocupação com a falta de clareza nos planos dos EUA na Venezuela e solicitou garantias para a segurança de Maduro e sua família.
O empresário brasileiro Joesley Batista, dono da JBS, também buscou convencer Maduro a deixar o poder. Em uma reunião no final de novembro, Batista sugeriu um exílio para o ditador na Turquia, juntamente com outras exigências. O empresário informou o governo americano sobre as conclusões do encontro, mas não agiu a pedido dos Estados Unidos.
Batista, que mantém boas relações com o ex-presidente Trump, é proprietário da Pilgrim’s Pride, empresa do setor alimentício que fez uma grande doação ao comitê de posse de Trump. As informações foram divulgadas pela imprensa brasileira.
