Tensão geopolítica afeta mercado de petróleo e causa instabilidade nas Bolsas

Os receios de um aumento na guerra no Oriente Médio causaram nervosismo nos mercados ontem. Além da ameaça do presidente Donald Trump de bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar pela reabertura do Estreito de Ormuz, houve um aumento no risco de invasão terrestre ao Irã, que passou a mencionar possíveis ataques a locais turísticos em todo o mundo. Com a intensificação dessa tensão, o preço do petróleo subiu mais e as Bolsas fecharam em queda novamente.

“Se houver um conflito terrestre mais intenso e se mais países se envolverem, existe um grande potencial para afetar os preços do petróleo, câmbio e Bolsas”, observou Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital.

O barril do petróleo tipo Brent para entrega em maio, referência para a maioria dos países, incluindo o Brasil, foi negociado a US$ 112, um aumento de 3,26% no dia. A variação acumulada durante a semana chegou a 8,77%. O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que pode levar até seis meses para restabelecer os fluxos de petróleo e gás do Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.

As Bolsas também foram fortemente impactadas. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 0,97%, o S&P 500, 1,51% e o Nasdaq, 2,01%. Em Londres, o FTSE 100 encerrou com queda de 1,44%, acumulando uma redução de 3,56% na semana. Em Frankfurt, o DAX teve uma queda de 1,94%, com perda semanal de 4,88%.

A aversão ao risco também afetou a Bolsa brasileira: o Ibovespa caiu 2,25% na sexta-feira (20), fechando em 176,2 mil pontos, o menor nível desde 22 de janeiro. Na semana, teve uma queda de 0,81%, ampliando a perda no mês de março para 6,66%.

“Com os novos desdobramentos no conflito do Oriente Médio, que está em sua quarta semana, e as preocupações sobre a integridade da infraestrutura de petróleo e gás na região, o Ibovespa se afastou dos 180 mil pontos. O mercado esteve bastante tenso hoje”, afirmou Bruna Centeno, economista na Blue3 Investimentos.

Apesar do aumento nos preços do petróleo, as ações da Petrobras caíram mais de 2%, devido aos receios de intervenção do governo nas decisões da empresa para controlar o aumento dos combustíveis.

Acompanhando a valorização no exterior, o dólar disparou no mercado local. Após atingir R$ 5,32, fechou em alta de 1,79%, a R$ 5,30. Neste mês, a moeda tem uma valorização de 3,41% em relação ao real. “Os bancos centrais adotaram uma postura mais rígida, com maior preocupação com a inflação, o que causou uma reprecificação das curvas de juros. O dólar se fortaleceu nesse processo”, explicou Eduardo Aun, gestor de fundos multimercados da AZ Quest. (Com informações do portal Estadão)

By Canoas Informa

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