No último domingo (12), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, manifestou ao líder iraniano, Masoud Pezeshkian, sua disposição em atuar como mediador para facilitar a paz no Oriente Médio, conforme divulgado pelo Kremlin em um comunicado. As conversações entre Irã e Estados Unidos, que tiveram início no dia anterior (11) em Islamabad, encerraram-se sem alcançar um consenso.
“Putin destacou sua disposição para contribuir na busca de uma solução política e diplomática para o conflito, além de mediar esforços que visem a uma paz justa e duradoura na região”, informou o Kremlin em seu pronunciamento.
O presidente iraniano expressou sua “gratidão” pela postura da Rússia em relação à “redução das tensões” e agradeceu pela “ajuda humanitária oferecida ao povo iraniano”, segundo o documento oficial.
Pezeshkian também aproveitou a oportunidade para parabenizar Putin e os cristãos ortodoxos da Rússia pela celebração da Páscoa. A situação na Europa Oriental continua instável: apesar de um cessar-fogo declarado entre Rússia e Ucrânia após quatro anos de conflito, as duas nações trocaram acusações sobre violações da trégua. A suspensão das hostilidades foi anunciada no sábado e deveria durar até domingo, totalizando 32 horas sem confrontos.
Entretanto, o Kremlin já sinalizou que não estenderá a trégua pascal sem um acordo com Kiev. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou no sábado que consideraria “adequado” prolongar a pausa nas hostilidades.
Falta de acordo nas negociações
Após cerca de 21 horas de discussões, Irã e Estados Unidos não conseguiram firmar um acordo para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, responsável pelas negociações em Islamabad, declarou ter deixado o Paquistão após apresentar a “melhor oferta final”. Contudo, o Irã classificou as exigências americanas como “irracionais”.
Fontes indicaram à rede CNN que a delegação iraniana também já havia deixado o Paquistão. Além disso, os americanos não deixaram nenhum membro da equipe no país para continuar mediando as negociações entre Teerã e Washington. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, reafirmou que seu país continuará facilitando o diálogo entre as partes envolvidas e pediu a manutenção do cessar-fogo.
Uma fonte próxima às negociações revelou à agência Fars que o Irã “não está apressado” para chegar a um acordo com os EUA e que não há planos imediatos para novas rodadas de conversas.
As tratativas em Islamabad representaram a reunião mais significativa entre Teerã e Washington desde a Revolução Islâmica de 1979. Durante as negociações, surgiram sinais de tensão quando veículos de comunicação iranianos acusaram os Estados Unidos de fazer “exigências excessivas” relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma rota vital que transportava cerca de um quinto do petróleo mundial antes do fechamento implementado pelo Irã durante o conflito.
Dentre as demandas do Irã para um possível acordo estão o descongelamento dos ativos iranianos sob sanção e o fim da guerra travada por Israel contra o Hezbollah no Líbano — questão que Tel Aviv rejeita. A reabertura do Estreito de Ormuz também se tornou um ponto sensível nas discussões.
O presidente americano Donald Trump reiterou horas após o início das conversações no sábado que os Estados Unidos já haviam alcançado vitórias significativas no campo militar ao eliminar líderes iranianos e destruir infraestrutura militar essencial. “Para mim, tanto faz se chegamos a um acordo ou não. O importante é que já vencemos”, afirmou Trump.
Ainda que as negociações tenham fracassado, não houve retomada imediata das hostilidades na região. O Ministério da Energia da Arábia Saudita anunciou neste domingo que seu principal oleoduto leste-oeste voltou a operar após ter sido danificado por ataques anteriores. Por sua vez, o Ministério dos Transportes do Catar informou sobre a suspensão de algumas restrições à navegação no Golfo.
A infraestrutura energética desses países já havia sido alvo de ataques iranianos logo nos primeiros dias do conflito. Vale destacar que tanto Arábia Saudita quanto Catar têm bases militares dos EUA instaladas em seus territórios.
