Ao contrário do ex-presidente Jair Bolsonaro, que afirmou ter danificado sua tornozeleira eletrônica devido a um surto paranoico, 54% dos brasileiros concordam com o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e acreditam que Bolsonaro estava planejando uma fuga.
Esses dados foram obtidos em uma pesquisa realizada pelo Datafolha entre terça-feira (2) e quinta-feira (4), ouvindo 2.002 eleitores em 113 cidades do Brasil. A margem de erro do levantamento é de dois pontos para mais ou para menos. Cerca de 13% dos entrevistados não souberam opinar sobre o episódio.
Os resultados da pesquisa são consistentes entre diferentes segmentos socioeconômicos, com pequenas variações dentro da margem de erro. Jovens de 16 a 24 anos tendem a acreditar mais na tentativa de fuga (60%), enquanto, indivíduos com maior renda optam pelo surto (40%).
Do ponto de vista político, a teoria do surto é mais aceita entre os grupos próximos ao bolsonarismo. Cerca de 40% dos moradores das regiões Sul e Norte/Centro-Oeste, 46% dos evangélicos e 66% dos eleitores de Bolsonaro no segundo turno de 2022 acreditam nisso. Por outro lado, a ideia de fuga encontra mais apoio entre os nordestinos (61%) e entre os eleitores de Lula (66%).
O episódio em questão é um dos mais turbulentos em meio aos eventos que culminaram na condenação do ex-presidente por tentar permanecer no cargo e impedir a posse de Lula (PT).
Tudo começou às 0h07 do dia 22 de novembro, um sábado.
Bolsonaro estava em prisão domiciliar em Brasília desde 4 de agosto, devido ao descumprimento de medidas cautelares impostas por Moraes enquanto aguardava julgamento, o qual resultou em uma sentença de 27 anos e três meses de prisão em 11 de setembro.
Nesse horário, um alerta de violação da tornozeleira foi acionado na central da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal. Agentes entraram em contato com a residência de Bolsonaro e foram informados de que ele havia danificado a tornozeleira ao bater em uma escada, mas decidiram investigar.
Ao chegarem lá, Bolsonaro exibiu o dispositivo danificado com um ferro de solda, alegando que foi por “curiosidade”. Moraes considerou a possibilidade de fuga, especialmente quando o filho de Bolsonaro, Flávio, convocou uma “vigília de orações” para aquele sábado em frente à casa do pai.
O ministro acreditava que a confusão seria usada como uma distração para remover Bolsonaro do local e levá-lo para a embaixada de um país aliado, como EUA, Argentina ou Hungria – onde Bolsonaro passou duas noites de forma suspeita em 2024. As embaixadas são consideradas territórios invioláveis.
No início, os apoiadores de Bolsonaro tentaram relacionar a prisão a uma suposta perseguição religiosa, mas, após a divulgação das imagens dos agentes verificando a tornozeira danificada, passaram a alegar que o político estava em surto.
Ele explicou isso durante a audiência de custódia com Moraes no dia seguinte (23), acrescentando que estava paranoico com a possibilidade de haver uma escuta no dispositivo.
Seus advogados sugeriram que o episódio foi causado por uma combinação de medicamentos para outros problemas de saúde, como soluços frequentes, no entanto, os médicos consideraram essa hipótese improvável.
Desde então, Bolsonaro está detido na superintendência da PF em Brasília, em uma sala simples com banheiro. O ministro optou por mantê-lo no local e rejeitou o pedido de prisão domiciliar após o encerramento do processo, em 25 de novembro. (Com informações da Folha de S.Paulo)
