O enfraquecimento das medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, como a imposição de tarifas comerciais e a inclusão de autoridades brasileiras na lista de sanções da Lei Magnitsky, foi mais relacionado ao comportamento imprevisível de Donald Trump e sua mudança de postura em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro do que a uma mudança estratégica em Washington ou ganhos diplomáticos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ex-embaixador americano John Feeley, especialista em América Latina, em entrevista à BBC News Brasil, afirmou que Trump abandonou Bolsonaro quando já não era politicamente útil. A relação entre os dois teria sido superficial, baseada em discursos conservadores que interessavam à base eleitoral de Trump na época.
Feeley ressaltou que Trump não tinha interesse genuíno pelo Brasil ou por Bolsonaro e que a aproximação entre os dois foi circunstancial. Com a condenação de Bolsonaro e o restabelecimento do Estado de Direito no Brasil, Trump teria perdido o interesse na relação.
O ex-embaixador também apontou que a política externa de Trump é marcada pela falta de estratégia clara, tornando as negociações instáveis e sujeitas a mudanças bruscas. Ele acredita que a resolução da crise entre Brasil e Estados Unidos foi mais resultado do acaso do que de uma habilidade diplomática.
Para Feeley, líderes como Lula devem manter distância de Trump, aproveitando a instabilidade do governo americano para se preservarem. Ele destacou que as tensões entre Brasil e Estados Unidos se intensificaram em julho, mas foram amenizadas com a suspensão das tarifas e a retirada de autoridades brasileiras da lista de sancionados.
O ex-embaixador também comentou sobre a escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela, destacando a eficácia do bloqueio a navios petroleiros sancionados, mesmo com impactos sobre a população venezuelana. Feeley ressaltou que a crise humanitária no país não é causada apenas pelas sanções, mas principalmente pelo modelo econômico adotado nas últimas décadas.
