O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), foi preso pela PF (Polícia Federal) no Rio de Janeiro, durante a 2ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações da Operação Zargun. Os policiais prenderam Macário na casa do magistrado, na Barra da Tijuca.
Em setembro, Macário emitiu o mandado de prisão contra o então deputado TH Joias na Operação Zargun. A PF suspeita que o desembargador auxiliou no vazamento de informações sobre a operação contra TH Joias.
Uma fonte da PF relatou que Macário estava com o então presidente da Alerj, o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar, em um restaurante, quando Bacellar ligou para TH Joias para avisá-lo da operação. Além disso, os investigadores encontraram trocas de mensagens entre o presidente da Alerj e o desembargador no celular de Bacellar, o que fundamentou a operação.
Nesta terça-feira, os agentes cumpriram um mandado de prisão e dez de busca e apreensão expedidos pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
Preso na primeira etapa da Operação Unha e Carne e depois solto pela Alerj, Bacellar foi alvo de buscas nesta terça-feira.
Operação Unha e Carne
No dia 3 deste mês, Bacellar, então presidente da Alerj, foi preso pela PF sob suspeita de vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, em que o deputado estadual TH Joias foi detido por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de negociar armas para o Comando Vermelho.
O mandado de prisão de Bacellar, emitido por Alexandre de Moraes, também determinou seu afastamento da presidência da Alerj.
Segundo Moraes, há “fortes indícios” da participação de Bacellar em uma organização criminosa, atuando ativamente na obstrução de investigações envolvendo facções criminosas e o crime organizado, com influência no Poder Executivo Estadual.
O procurador-geral de Justiça do RJ, Antonio José Campos Moreira, já havia levantado a suspeita de vazamento no dia da Operação Zargun, ao afirmar que “houve uma certa dificuldade” em localizar TH Joias.
TH não estava em casa quando os policiais chegaram e só foi encontrado horas depois na residência de um amigo, no mesmo bairro.
Bacellar foi libertado por uma decisão da Alerj em 8 de dezembro, com medidas cautelares determinadas por Moraes, como o uso de tornozeleira eletrônica, afastamento da presidência da Alerj, recolhimento noturno e proibição de comunicação com outros investigados.
