Crianças imigrantes são mantidas por mais tempo do que deveriam em centro de detenção nos Estados Unidos

Pelo menos 675 crianças imigrantes foram mantidas por mais de 20 dias em um centro de detenção no sul do Texas de janeiro a outubro de 2025, segundo dados do governo dos Estados Unidos analisados. Entre elas estão 11 brasileiras.

A duração das prisões viola a diretriz estabelecida no chamado Acordo Flores, uma decisão judicial de 1997 que criou parâmetros para o tratamento de imigrantes menores de idade.

O centro na cidade de Dilley virou alvo de protestos depois que um menino equatoriano de cinco anos foi preso, em janeiro, por agentes federais de imigração ao voltar da pré-escola em Minnesota. Liam Conejo Ramos foi liberado em fevereiro, após comoção popular e protestos.

Os dados foram fornecidos pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA para o Deportation Data Project, da Universidade da Califórnia, via lei de acesso à informação americana.

No período analisado, 1.859 menores passaram a maior parte de suas detenções no centro de Dilley. Isso inclui crianças que foram detidas em outros estados, como Massachusetts, e enviadas ao Texas. Ou seja, pouco mais de um terço desse total permaneceu na instalação além dos 20 dias permitidos.

Um deles é um menino brasileiro nascido em 2023, que ficou 44 dias detido no Texas antes de ser deportado para o Brasil. Outros dez menores brasileiros ficaram em Dilley por períodos que variam de 21 a 34 dias.

O número de menores que excederam o tempo permitido pode ser maior, uma vez que há 240 registros de detenções sem data de saída – o que pode indicar um erro de preenchimento ou que as crianças continuavam detidas à época de extração dos dados, em outubro de 2025. Na segunda hipótese, o número salta para 915, quase metade das detenções.

No caso de pelo menos quatro crianças, a situação é crítica: elas estão detidas há oito meses, incluindo a família da egípcia Hayam El Gamal.

Mohamed Soliman, marido de Hayam, foi preso em junho passado, acusado de lançar um coquetel molotov contra um grupo de manifestantes. Na época, os filhos tinham idades de 5 a 17 anos. Os egípcios chegaram aos EUA em 2022 e fizeram um pedido de asilo que concedeu permissão para que permanecessem no país até setembro do ano seguinte.

Embora tivessem autorização para trabalhar, passaram a ser considerados em situação migratória irregular por terem excedido o prazo do visto – algo comum em casos de pedidos de asilo ainda pendentes.

By Canoas Informa

Você pode gostar