A decisão de renúncia da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) já estava sendo planejada por seus aliados e advogados antes da votação no plenário da Câmara, que garantiu temporariamente seu mandato durante a madrugada da última quinta-feira (11).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia sido informado sobre a avaliação de Zambelli em formalizar a renúncia, que foi concretizada no início da tarde de domingo (14).
Diante dos revezes judiciais, da possível prisão na Itália e do risco de extradição para o Brasil, a estratégia de Zambelli, segundo seus aliados, foi aceitar a derrota e evitar danos maiores.
Com a renúncia, a intenção é obter permissão para sair da prisão. O próximo passo é, com a liberdade, tentar reverter o pedido de extradição para o Brasil.
O grupo de Zambelli acredita que o status de parlamentar renunciante é diferente do deputado cassado. A renúncia, aliada à rejeição da cassação pela Câmara, fortalecerá o argumento de perseguição política.
Caso seja extraditada de volta para o Brasil, Zambelli deve cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Segundo o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), a renúncia não levou em consideração o tempo em que ela ficará inelegível. O foco foi facilitar a defesa na Itália. Com a condenação a dez anos de prisão por um tribunal, seus direitos políticos já estão suspensos.
“Uma coisa é ela se defender na Itália como parlamentar cassada, outra é como alguém que renunciou e se apresenta como vítima de perseguição política”, comentou Cavalcante.
Prestes a assumir como líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto (PL-PB) afirmou que a renúncia está diretamente relacionada à defesa de Zambelli na Itália.
“Estamos trabalhando arduamente para evitar a extradição dela. Se acontecer, ela corre sérios riscos aqui”, disse. “Não estamos considerando os direitos políticos, estamos em um estado de exceção.”
Carla Zambelli indicou a seus aliados que, nas próximas eleições, deve lançar um familiar ou outra pessoa de confiança para disputar uma vaga na Câmara. Os nomes de sua mãe e de um de seus advogados já foram mencionados.
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a dez anos de prisão e à perda do mandato por estar envolvida na invasão cibernética ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizada pelo hacker Walter Delgatti Neto. O caso dela foi finalizado em junho e, no mês seguinte, ela fugiu para a Itália.
Na madrugada do dia 11, a Câmara rejeitou, em uma votação, a perda do mandato, contrariando a decisão do STF. No dia seguinte, a Corte anulou a votação, destacando que a perda do mandato está prevista na Constituição nos casos de condenação criminal definitiva.
Assim, a decisão caberia a Hugo Motta convocar o suplente de Zambelli. Antes disso, ela anunciou a renúncia e a presidência da Casa comunicou a decisão. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
