O Banco Central (BC) identificou um grupo de 36 empresas como receptoras de empréstimos fictícios do Banco Master, resultando no desvio de R$ 11,5 bilhões em recursos por meio de fundos de investimento geridos pela Reag.
O jornal Valor teve acesso à lista das empresas, a maioria delas de pequeno porte, que foi comunicada pelo Banco Central ao Ministério Público em 17 de novembro, um dia antes da liquidação extrajudicial do Banco Master.
Entre as empresas listadas, muitas estão no setor da construção civil, algumas com capitalização pequena e recente, chegando a menos de R$ 1 mil. Também foram identificadas empresas de maior porte em setores como alimentos, hotelaria, importação e exportação, algumas com sócios em comum.
As transações chamam atenção por envolver empresas sem atividade aparente. O processo regular de concessão de empréstimos nos bancos inclui visitas aos clientes, análise de riscos, consultas a órgãos de crédito, o que não parece ter ocorrido nessas situações.
Uma das empresas listadas é a Brain Realty Consultoria e Participações, que recebeu um empréstimo de R$ 449,36 milhões, conforme reportado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo jornal Valor.
Em todos os casos, as empresas apontadas investiram parte dos empréstimos nos fundos D Mais e Bravo, administrados pela Reag. O valor médio desviado por empresa foi de R$ 288 milhões, com a Brain Realty recebendo o maior montante.
Os fundos D Mais e Bravo por sua vez investiram em outros fundos da Reag, onde o desvio de recursos efetivamente acontecia, de acordo com o Banco Central. Um dos fundos mais utilizados foi o FIDC High Tower.
Esse fundo adquiria as cártulas do Besc por valores mais baixos no mercado e as registrava por preços muito mais altos, resultando em um suposto lucro de bilhões. O dinheiro desviado do Banco Master era canalizado através dessas transações fraudulentas.
Todo o esquema resultou em um lucro gigantesco para os envolvidos, com o dinheiro passando por diversas operações de lavagem antes de se dispersar por diversos fundos. O relatório do Banco Central detalha todas as transações, com destaque para os fundos ligados à Reag que tiveram papel fundamental nesse esquema ilegal.
A Reag, empresa central nesse esquema, também foi alvo da Operação Carbono Oculto, em 2025, que investigou a lavagem de dinheiro do PCC por meio de fundos de investimento. Essas informações foram obtidas pelo portal Valor Econômico.
