Javier Milei enfrenta um cenário desafiador ao se preparar para as eleições presidenciais de outubro de 2027, com a desaprovação de sua administração atingindo alarmantes 61,6%, conforme uma pesquisa do instituto AtlasIntel realizada em março. Essa situação o coloca em uma posição política vulnerável, especialmente enquanto tenta implementar suas políticas econômicas.
Atualmente, Milei registra a maior taxa de impopularidade desde que assumiu a presidência em dezembro de 2023, com um aumento de 6,3 pontos percentuais em comparação ao levantamento anterior realizado em fevereiro. Além disso, sua gestão obteve uma avaliação recorde de 57,4% como “muito ruim”.
Essa deterioração da imagem do presidente é surpreendente, considerando que seu governo implementou reformas ortodoxas apoiadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e aprovadas pelo Congresso Nacional. Essas medidas resultaram na redução da inflação de 211,4% em 2023 para uma taxa acumulada de 33,1% nos 12 meses finais de fevereiro.
A estranheza desse panorama se intensifica diante da diminuição da pobreza no país, que caiu de 41,7% no segundo semestre de 2023 para 28,2% no mesmo período do ano anterior, segundo dados do órgão oficial responsável pelas estatísticas.
O atual contexto sugere um desalinhamento entre os dados econômicos e a percepção popular — o Produto Interno Bruto (PIB) teve um crescimento de 4,4% em 2025 após dois anos consecutivos de retração.
Enquanto 65% dos argentinos consideram que a situação econômica é negativa, uma parcela ainda maior (57%) acredita que ela deve piorar nos próximos seis meses, conforme revela o AtlasIntel. A inflação continua sendo apontada como um dos principais problemas do país por 35,3% da população.
A reforma trabalhista promovida por Milei foi recentemente suspensa pela Justiça do Trabalho e isso pode ter influenciado a opinião de 74% dos entrevistados que consideram grave a situação atual do mercado laboral. Apesar dos elogios recebidos do FMI após a avaliação da Argentina na última quinta-feira (2), também surgiram cobranças sobre os efeitos sociais dessas mudanças.
O FMI, que possui um crédito de US$ 41,8 bilhões com o país, reforçou a urgência para Milei atenuar os impactos sociais decorrentes das reformas e finalizar seu plano de estabilização econômica e abertura do mercado.
Milei herdou uma situação complicada devido ao legado do populismo peronista e terá um grande desafio pela frente: entregar uma economia estável ao final de seu mandato — essa é sua principal promessa aos eleitores nas eleições de 2023. Mesmo que não resulte em um aumento na popularidade ou na continuidade no cargo em 2027, os esforços feitos pela sociedade durante esse período não terão sido em vão.
