Presidente dos EUA adverte Canadá contra acordo comercial com a China

O presidente norte-americano, Donald Trump, fez uma ameaça neste sábado (24) de impor “tarifas de 100%” sobre as importações canadenses para os Estados Unidos caso um acordo comercial entre o Canadá e a China seja finalizado. Recentemente, os dois países anunciaram uma nova parceria estratégica, após a visita do primeiro-ministro canadense Mark Carney a Pequim.

Essa foi a primeira viagem de um líder canadense à China em oito anos. A expectativa é que a China diminua as tarifas sobre a canola canadense. Ao mesmo tempo, o Canadá planeja permitir a entrada de cerca de 50 mil carros elétricos chineses em seu mercado, com uma tarifa de 6,1% – bem abaixo da taxa atual de 100%.

“Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

Carney está trabalhando para fortalecer os laços com o segundo maior parceiro comercial de seu país, depois dos Estados Unidos, após meses de esforços diplomáticos. Inicialmente, o Canadá permitirá a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com uma tarifa de 6,1% nos termos de nação mais favorecida, conforme indicado por Carney após suas conversas com líderes chineses, incluindo o presidente Xi Jinping.

Isso representa uma mudança em relação à tarifa de 100% sobre os veículos elétricos chineses que foi imposta pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau em 2024, após medidas semelhantes dos EUA. Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá.

“Isso marca um retorno aos níveis anteriores aos recentes conflitos comerciais, mas com um acordo que promete benefícios adicionais para os canadenses”, afirmou Carney aos repórteres durante sua visita à China. Ele ainda mencionou que a cota aumentará gradualmente, chegando a aproximadamente 70.000 veículos em cinco anos.

“Para que o Canadá desenvolva seu próprio setor competitivo de veículos elétricos, precisamos aprender com parceiros inovadores, ter acesso às suas cadeias de suprimentos e aumentar a demanda interna”, disse Carney, afastando-se da justificativa de Trudeau de que as tarifas eram necessárias para proteger os fabricantes nacionais contra os concorrentes chineses subsidiados.

A decisão de reduzir as tarifas sobre os carros elétricos diverge da política dos EUA, e alguns membros do gabinete de Trump criticaram essa medida antes de uma revisão planejada do acordo comercial entre os EUA, Canadá e México.

No entanto, na semana passada, Trump expressou seu apoio a Carney. “Ele está fazendo o que deve ser feito. É positivo que ele esteja negociando um acordo comercial. Se conseguir um acordo com a China, deve avançar com isso”, afirmou Trump aos repórteres na Casa Branca.

O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, a principal província produtora de automóveis do Canadá, criticou o acordo. “O governo federal está abrindo as portas para uma enxurrada de carros elétricos baratos fabricados na China, sem nenhuma garantia real de investimentos equivalentes ou imediatos na economia, na indústria automotiva ou na cadeia de suprimentos do Canadá”, declarou ele em uma postagem. (Com informações do portal g1)

 

By Canoas Informa

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