María Corina Machado é premiada com o Nobel da Paz na Noruega

María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela, está prevista para ir a Oslo, na Noruega, para receber o Prêmio Nobel da Paz pessoalmente. O Comitê Norueguês do Nobel confirmou a informação no último sábado (6), por meio da agência de notícias AFP.

A premiação será oficializada em uma cerimônia na próxima quarta-feira (10). Edmundo González, candidato opositor que disputou contra Maduro e reside na Espanha, também estará presente no evento.

O chefe do Instituto Nobel, Kristian Berg Harpviken, informou à AFP que entrou em contato com Machado e ela confirmou sua presença em Oslo para a cerimônia. No entanto, devido à questão de segurança, detalhes sobre a data e a chegada da opositora não puderam ser divulgados.

A realização da viagem de Corina Machado à Noruega sempre foi vista como improvável, uma vez que ela vive escondida na Venezuela devido à perseguição do governo de Nicolás Maduro, que se intensificou após as eleições presidenciais de 2024. A oposição alega que Edmundo González venceu Maduro, porém o presidente insistiu em sua vitória em um processo eleitoral marcado por falta de transparência e manipulação institucional a seu favor.

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, havia declarado à AFP em novembro que Corina Machado seria considerada uma “foragida” caso viajasse à Noruega para receber o prêmio da paz.

A viagem da líder da oposição é vista como arriscada devido à perseguição do governo venezuelano. Detalhes sobre seus deslocamentos, saída e possível retorno ao país ainda são desconhecidos.

Corina Machado foi laureada com o Nobel da Paz 2025 em outubro “por sua defesa pacífica da democracia e dos direitos humanos em meio à crise política” na Venezuela, conforme destacou o Comitê do Nobel. O prêmio inclui uma premiação em dinheiro de 11 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 6,2 milhões).

A premiação de Corina Machado é questionada por parte da opinião pública por envolver uma figura apoiada pelos Estados Unidos e em um contexto de crescente militarização por parte do governo Trump próximo às águas venezuelanas. Maduro acusa os EUA de buscar uma mudança de regime, uma acusação não confirmada pela Casa Branca.

Líder da oposição na Venezuela, Corina Machado conquistou o Prêmio Nobel da Paz 2025 em 10 de outubro daquele ano.

Aos 58 anos, ela foi reconhecida “por seus esforços incansáveis em prol da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos na Venezuela”, segundo o Comitê Norueguês do Nobel, com sede em Oslo.

Corina Machado se tornou a 20ª mulher a receber o Nobel da Paz, ao lado de mais de 90 homens premiados. Desde que contestou amplamente o resultado das eleições presidenciais de julho de 2024, marcadas por irregularidades e que deram uma suposta reeleição a Nicolás Maduro, ela vive escondida na Venezuela. O resultado do pleito não recebeu reconhecimento internacional.

A líder opositora foi proibida de concorrer às eleições. Desde então, Maduro intensificou a repressão a ela e a outros opositores, como o candidato Edmundo González. Corina Machado foi brevemente detida no ano anterior e segue escondida no país. Saiba mais sobre sua trajetória aqui.

De acordo com o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Joergen Watne Frydnes, o Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido a uma “campeã corajosa e comprometida pela paz, uma mulher que mantém aceso o fogo da democracia em meio à crescente escuridão. (…) Ela recebe o Prêmio Nobel da Paz por seu diligente trabalho na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

Frydnes destacou que Corina Machado “sempre defendeu os direitos humanos e o povo venezuelano. Ela é um contraponto aos disparos (do regime Maduro)”.

María Corina Machado foi reconhecida pelo Comitê Norueguês por representar “um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina recentemente”.

Segundo o comitê, a opositora é uma figura unificadora em um cenário político antes fragmentado, capaz de reunir diferentes grupos em torno da defesa de eleições livres e da restauração do Estado de Direito.

“A democracia é um pré-requisito para a paz duradoura. Quando líderes autoritários assumem o poder, é fundamental reconhecer os defensores da liberdade que surgem e resistem”, enfatizou o comunicado.

María Corina Machado é a fundadora do movimento Súmate, criado há mais de duas décadas para fiscalizar eleições e promover o voto livre no país. Ela se tornou um símbolo de resistência ao governo de Nicolás Maduro, enfrentando perseguições, impedimentos eleitorais e ameaças à sua vida – e, mesmo assim, decidiu permanecer na Venezuela.

By Canoas Informa

Você pode gostar