Com a chegada das férias e das altas temperaturas, é comum ver a casa se transformar em um cenário de brincadeiras improvisadas entre as crianças. Barracas de panos montadas na sala, piqueniques no chão e diversas atividades para entreter os pequenos.
No entanto, esse período de diversão para as crianças contrasta com um aumento nos acidentes envolvendo os pequenos. Dados do DATASUS, compilados pela ONA – Organização Nacional de Acreditação, apontam que entre janeiro e setembro de 2025, 3.613 crianças de 1 a 4 anos foram internadas no Brasil devido a queimaduras. A região Nordeste lidera com 1.109 casos, seguida pelo Sudeste (938), Sul (777), Centro-Oeste (527) e Norte (262).
O Rio Grande do Sul registrou 138 casos de queimaduras em crianças de 1 a 4 anos no mesmo período, ficando em nono lugar no ranking nacional.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras, sete em cada dez acidentes ocorrem dentro de casa, sendo a faixa etária de 1 a 4 anos a mais afetada. Isso se deve a uma combinação de curiosidade intensa, movimentos rápidos e pouca noção de perigo por parte das crianças.
A maioria dos acidentes acontece com líquidos quentes, como alerta a pediatra e membro da ONA, Mariana F. Falavina Grigoletto. Pequenos descuidos, como um cabo de panela exposto, uma xícara quente na mesa ou uma panela recém-retirada do fogo, podem resultar em queimaduras graves.
A pediatra ressalta que muitas vezes o cenário do acidente se repete, com as crianças se envolvendo em situações perigosas. Por isso, todo cuidado é pouco com os pequenos.
Além das queimaduras por líquidos quentes, as queimaduras por chama ou líquidos inflamáveis também são graves e menos comuns. A ingestão de soda cáustica, pilhas e baterias estão entre as principais causas de queimaduras em crianças, representando ameaças silenciosas devido ao seu potencial corrosivo.
Outros riscos presentes no ambiente doméstico incluem tomadas sem proteção, fios desencapados e o forte sol, que podem resultar em queimaduras e choques elétricos nas crianças. No verão, a exposição ao sol também pode causar queimaduras solares, mais comuns entre as 10h e 16h, período de maior radiação.
Em caso de queimaduras, a recomendação inicial é resfriar a área afetada com água corrente fria por 10 a 20 minutos. A médica alerta para não usar água gelada, remover acessórios antes do inchaço e não estourar bolhas, além de evitar mexer em roupas grudadas na pele, que podem arrancar tecido vivo.
