Lula descarta socorro financeiro ao Banco de Brasília e governadora reage com críticas contundentes

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que busca a reeleição, fez sérias acusações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamando-o de responsável por um “crime contra o sistema financeiro”. A declaração surgiu após Lula afirmar que não disponibilizaria verbas federais para auxiliar o Banco de Brasília (BRB). Durante uma sabatina promovida pelos jornais Valor e O Globo junto à Rádio CBN, Celina anunciou que pretende apresentar uma ação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e tentou se distanciar dos escândalos relacionados à operação com o Banco Master.

Celina enfatizou desconhecer as irregularidades do acordo e criticou seu antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), explicando que o atraso na apresentação do balanço financeiro foi uma “estratégia técnica” enquanto busca empréstimos. Ao responder sobre as declarações de Lula, a governadora acusou o governo federal de agir de maneira deliberada e irresponsável. “Lula parece ter esquecido sua obrigação de proteger um banco público”, ressaltou. “Quando o presidente se manifesta, ele afeta a liquidez do banco.”

No evento eleitoral realizado em Ceilândia, cidade próxima a Brasília, Lula declarou que não irá “destinar recursos para o BRB”, argumentando que Celina tenta transferir a responsabilidade ao governo federal de forma “cínica e enganosa”. Ele acrescentou: “A quebra do banco ocorreu devido à conexão entre Ibaneis e o ex-banqueiro do Master, Vorcaro.”

Após as declarações do presidente, Celina reiterou sua intenção de protocolar uma ação na CVM. “Isso configura um crime contra o sistema financeiro. Estamos lidando com uma Ação Cível Originária referente a um banco em recuperação, e esse tipo de atitude compromete a credibilidade da instituição, gerando uma crise de liquidez”, declarou.

O governo do DF está buscando articular um empréstimo com o Executivo federal através do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), onde a garantia seria fornecida por um sindicato de grandes bancos públicos e privados. Os recursos recebidos pelo governo por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) serviriam como contragarantia, sem que a União se torne avalista da operação.

Neste contexto, Celina acusou Lula de boicote às negociações. “Se ele realmente quisesse recuperar o banco, já teria tomado providências”, afirmou, mencionando que o presidente estaria bloqueando apoio da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. “Estamos sendo enrolados há seis meses”, completou.

Por outro lado, o governo federal manifestou disposição para colaborar nas tratativas, desde que os termos estabelecidos com o Supremo Tribunal Federal (STF) sejam respeitados, evitando assim qualquer aval financeiro.

A equipe de campanha de Lula declarou que ele “tem a responsabilidade de proteger os recursos públicos” e frisou que aquilo que é dos brasileiros “não será colocado em risco enquanto o governo do DF continuar sem apresentar as contas do banco sob sua administração”. Além disso, lembrou que Celina havia assinado um acordo no STF e agora tenta alterar sua narrativa após perceber que a solução não teve sucesso. “Os próprios bancos privados já rejeitaram essa operação porque o BRB não fornece relatórios confiáveis sobre sua situação financeira. Seria imprudente para o presidente assumir responsabilidades por algo que foi reprovado pelo mercado”, destacou em nota.

Durante a sabatina, Celina negou ter conhecimento das ilegalidades relacionadas ao Banco Master. Como vice-governadora na época da operação, disse ter se oposto à negociação feita por Ibaneis e comentou sobre sua falta de confiança no ex-presidente do BRB: “Paulo Henrique não faria parte da minha gestão. Eu acreditava que ele estava desconectado da realidade do Distrito Federal”, afirmou. A diretoria do banco foi afastada em abril após as revelações sobre os escândalos.

A governadora também negou conhecer Vorcaro pessoalmente e alegou que as mensagens onde ele afirma ter informado sobre as negociações foram mal interpretadas. “As alegações sobre meu conhecimento ou falta dele não são verdadeiras”, complementou.

Celina ainda defendeu seu atual vice na eleição, Gustavo Rocha, ex-secretário da Casa Civil durante a gestão de Ibaneis; segundo ela, Rocha tinha acesso limitado às informações sobre os negócios entre Master e BRB.

No entanto, não poupou críticas ao ex-governador: “Ibaneis cometeu muitos erros na área econômica ao confiar em pessoas sem capacidade técnica para gerir o governo”, observou. Para a Polícia Federal, Vorcaro admitiu ter conversado com Ibaneis algumas vezes e até recebido-o em sua residência.

Sobre o BRB, Celina explicou que a publicação do balanço financeiro referente a 2025 foi adiada devido às tentativas de acordo para salvar a instituição financeira. O documento deveria ter sido divulgado até 31 de março deste ano. “É preferível postergar essa publicação para garantir melhores condições no empréstimo”, justificou. Ela ressaltou ainda: “Estou arcando com multas por não publicar os balanços.”

By Canoas Informa

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