No último sábado (18), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu um comunicado em parceria com México e Espanha, no qual enfatiza a necessidade de respeito pela soberania cubana e anuncia a intenção de aumentar o envio de ajuda humanitária à ilha. A declaração não menciona diretamente Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Nos dias recentes, Trump tem comentado sobre as operações militares americanas na Venezuela e no Irã, que resultaram na detenção de Nicolás Maduro e na morte do aiatolá Ali Khamenei, afirmando que “Cuba é a próxima” na linha de ações.
A nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores ressalta: “Diante da evolução da situação em Cuba e das dramáticas condições enfrentadas por seu povo, os governos do Brasil, Espanha e México reiteram a importância de respeitar o direito internacional e os princípios da integridade territorial, igualdade soberana e resolução pacífica de disputas, estabelecidos na Carta da ONU.”
Recentemente, a crise em Cuba se intensificou. O país enfrenta uma crescente crise energética, marcada por frequentes apagões e escassez de combustíveis. Além disso, os habitantes da ilha têm se queixado da falta de alimentos.
O Itamaraty também expressou preocupação com a grave crise humanitária que atinge a população cubana: “(Brasil, México e Espanha) manifestam sua profunda inquietação em relação à situação humanitária crítica que afeta o povo cubano e pedem que sejam tomadas medidas urgentes para amenizar essa realidade e evitar ações que possam piorar as condições de vida ou que sejam contrárias ao direito internacional. Os países comprometem-se a intensificar a resposta humanitária coordenada para aliviar o sofrimento do povo cubano.”
Além disso, Miguel Díaz-Canel, líder cubano, revelou recentemente que autoridades de Cuba iniciaram diálogos com o governo dos EUA.
Conforme o comunicado emitido neste sábado, Brasil, México e Espanha acreditam ser essencial um diálogo “sincero e respeitoso”, alinhado ao direito internacional e aos princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas, para ajudar Cuba a superar suas dificuldades.
“O objetivo deve ser encontrar uma solução sustentável para a situação atual, criando as condições necessárias para que o povo cubano decida seu próprio futuro em total liberdade”, acrescentou.
Lula, aliado do ex-presidente Fidel Castro — falecido em 2016 — e crítico do embargo imposto pelos EUA sobre Cuba, tem demonstrado desaprovação em relação a líderes globais que ameaçam outras nações ou se envolvem em conflitos bélicos. Durante um discurso em Barcelona (Espanha) sobre democracia no último sábado, ele comentou: “Não podemos acordar todos os dias com um tweet de um presidente da República ameaçando o mundo e promovendo guerras.”
O presidente também criticou a paralisia do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que não consegue prevenir guerras devido ao envolvimento de alguns membros permanentes, como EUA e Rússia, em diversos conflitos. “A estimada ONU foi criada após a Segunda Guerra Mundial com cinco membros permanentes para zelar pela paz e pela fraternidade; mas agora esses cinco se tornaram senhores da guerra”, concluiu.
