Na última segunda-feira (13), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desconsiderou a possibilidade de se desculpar pelos ataques direcionados ao papa Leão XIV em uma postagem nas redes sociais durante o final de semana. Ele afirmou: “Não há nada pelo que me desculpar. Ele está errado”, enquanto removia uma imagem que o representava como Jesus Cristo.
Trump criticou o papa, alegando que suas declarações estavam erradas e que este se opunha às ações de sua administração em relação ao Irã, destacando que “não se pode ter um Irã nuclear”. O presidente também mencionou que Leão XIV era “muito fraco em relação ao crime e outras questões”.
Em resposta às observações do presidente americano, Leão XIV declarou não ter “medo algum da administração Trump” e reafirmou seu compromisso de transmitir abertamente a mensagem do Evangelho, que considera ser sua missão.
A repercussão das palavras de Trump gerou reações entre diversas figuras políticas ao redor do mundo. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, considerou as críticas feitas pelo presidente dos EUA ao pontífice como “inaceitáveis”. Ela destacou em um comunicado: “O papa é o líder da Igreja Católica, sendo justo e natural que ele clame pela paz e condene todas as formas de guerra”.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também manifestou indignação, rotulando a crítica como um “insulto” ao papa. Em defesa do Irã, ele afirmou que “a profanação de Jesus, profeta da paz e da fraternidade, não é aceitável para qualquer pessoa livre”.
Essa declaração foi feita por meio do X e se juntou a outras respostas de líderes políticos e religiosos após os comentários de Trump, que chamou o papa de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”, criticando sua posição sobre armas nucleares e o Irã. Além disso, diversas lideranças desaprovaram a imagem publicada por Trump onde ele se retratava como Jesus curando alguém.
Paolo Gentiloni, ex-primeiro-ministro italiano e antigo comissário europeu, fez uma ironia sobre a controvérsia na mesma plataforma digital ao dizer que o papa não excomungaria Trump devido à “força da misericórdia papal”.
Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e Educação do Vaticano, analisou os ataques como um sinal do desconforto político diante da autoridade moral do papa. Ele declarou: “Quando o poder político se volta contra uma voz moral, frequentemente isso ocorre porque não consegue contê-la”, acrescentando que ao tentar deslegitimar Leão XIV, Trump acaba reconhecendo a importância de suas declarações.
O papa reiterou sua falta de temor em relação ao presidente americano e reafirmou que sua mensagem está fundamentada no Evangelho, promovendo a paz, o diálogo e o multilateralismo.
Apoio de líderes católicos
Nesta segunda-feira, lideranças católicas demonstraram apoio ao papa após as intensas críticas recebidas do presidente dos EUA sobre suas declarações acerca da guerra envolvendo o Irã.
A Conferência Episcopal Italiana expressou sua total solidariedade com o Santo Padre Leão XIV em um comunicado onde lamenta as declarações feitas contra ele por Donald Trump nas últimas horas. “O papa não é um interlocutor político; ele é o sucessor de Pedro, chamado para servir o Evangelho, a verdade e a paz”, acrescentaram.
Pouco antes disso, Paul S. Coakley, arcebispo e presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos também se posicionou em favor do pontífice. Ele expressou estar consternado com as afirmações desagradáveis proferidas por Trump sobre o Santo Padre. “Leão XIII não é seu rival; o papa não é um político”, concluiu.
