Macron solicita encontro com Lula e possível reunião pode ocorrer na Índia

O presidente da França, Emmanuel Macron, solicitou uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A possível audiência pode acontecer durante a participação dos dois líderes na cúpula sobre inteligência artificial em Nova Déli, na Índia. Até o momento, a reunião ainda não foi oficialmente confirmada, mas o pedido foi feito ao Itamaraty através da Embaixada da França em Brasília.

Segundo informações divulgadas em conversas com jornalistas, o governo brasileiro tem recebido solicitações de diversas reuniões bilaterais durante o evento, além de ter enviado convites a outros chefes de Estado.

Os presidentes planejam viajar à Índia a convite do primeiro-ministro Narendra Modi para uma visita de Estado e para participar do fórum internacional sobre inteligência artificial, que abordará temas como regulamentação da tecnologia, soberania digital, segurança de dados e governança global do setor.

O evento é esperado para reunir líderes políticos, executivos de grandes empresas de tecnologia e representantes de organismos multilaterais para discutir questões como supervisão de plataformas digitais, responsabilidade das grandes empresas de tecnologia e impactos da inteligência artificial na economia e segurança internacional.

Os presidentes pretendem retomar assuntos discutidos durante a última visita de Lula à França, quando Macron mencionou o papel importante que o Brasil poderia desempenhar para o fim da Guerra da Ucrânia. O governo brasileiro tem recebido pressão de atores internacionais devido à relação com o presidente russo, Vladimir Putin.

Recentemente, durante uma ligação, os presidentes debateram a proposta de Donald Trump para a criação de um “Conselho da Paz”, um fórum alternativo para tratar de conflitos internacionais fora das estruturas tradicionais da ONU.

Lula e Macron destacaram a importância das Nações Unidas e do Conselho de Segurança como instâncias legítimas para a mediação de crises e a manutenção da paz, ressaltando o respeito ao direito internacional e à Carta da organização em iniciativas de resolução de conflitos.

Apesar de a França ter recusado o convite americano para o novo fórum, o Brasil ainda não respondeu formalmente, indicando que não tem interesse em aderir à iniciativa. A provável reunião em Nova Déli coincide com um momento crucial nas negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia, cujo acordo de livre-comércio foi assinado recentemente.

Embora o tratado tenha sido assinado, ainda é necessário a ratificação pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos e pelo Parlamento Europeu. Nesta quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto para revisão jurídica pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar a implementação do acordo.

O acordo enfrenta resistência, especialmente na França, devido às preocupações de produtores rurais e setores industriais com a abertura do mercado europeu a produtos agrícolas sul-americanos. Macron adotou uma postura cautelosa, defendendo medidas ambientais e garantias adicionais, enquanto Lula enfatiza a importância do tratado para ambos os blocos e para a defesa do multilateralismo e do comércio internacional baseado em regras. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

By Canoas Informa

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