Um sono de má qualidade pode levar muitas pessoas a procurar soluções para adormecer mais facilmente. Entre as alternativas que têm se tornado populares, destacam-se os suplementos de melatonina e magnésio, frequentemente recomendados em conjunto para melhorar o descanso. No entanto, é importante notar que esses dois compostos exercem funções distintas no organismo.
A melatonina é um hormônio que desempenha um papel fundamental no ritmo circadiano, o qual regula os períodos de sono e vigília. A produção desse hormônio aumenta com a chegada da escuridão, sinalizando que é hora de dormir.
Por outro lado, o magnésio é um mineral essencial envolvido em várias funções corporais, incluindo a atividade muscular e nervosa. Sua possível conexão com o sono está relacionada ao processo de relaxamento; ainda assim, as evidências sobre sua eficácia no tratamento de distúrbios do sono são limitadas.
Distinções
A melatonina possui décadas de estudos e pode ser benéfica em situações específicas, como no caso do jet lag, quando o ritmo circadiano é alterado após uma viagem. No entanto, seu efeito sobre insônias comuns não é tão claro.
No que diz respeito ao magnésio, as pesquisas ainda são escassas e apresentam limitações significativas.
Um estudo conduzido pela NBJ avaliou 155 adultos saudáveis com dificuldades para dormir. Os participantes receberam 250 miligramas de glicinato de magnésio entre 30 e 60 minutos antes do sono ou um placebo. Aqueles que tomaram magnésio mostraram melhorias notáveis nos sintomas de insônia, embora os pesquisadores tenham enfatizado que essas alterações foram modestas.
Dessa forma, apesar dos resultados promissores, não se pode considerar o magnésio como uma solução definitiva para problemas relacionados ao sono. É necessário realizar mais investigações com amostras maiores e metodologias mais rigorosas.
Magnésio
O magnésio tem um papel importante na função neural e muscular e está associado a mecanismos que favorecem o relaxamento. Um dos estudos sugere que sua ação pode estar ligada ao ácido gama-aminobutírico (GABA), um neurotransmissor responsável por diminuir a atividade do sistema nervoso.
Adicionalmente, há indícios de que esse mineral possa afetar os processos envolvidos na produção natural da melatonina. Contudo, isso não implica que o magnésio atue como uma forma direta desse hormônio; seu impacto sobre o descanso parece ser indireto e relacionado a vários processos fisiológicos.
Vale ressaltar também que nem todas as formas de magnésio são equivalentes. O citrato e o óxido de magnésio podem provocar efeitos colaterais como diarreia, náuseas ou cólicas, enquanto opções como glicinato e L-treonato são frequentemente preferidas por seus menores riscos de efeitos adversos.
A produção natural de melatonina também varia com a idade e pode ser influenciada pela exposição à luz durante a noite. A luz artificial, especialmente a proveniente de telas eletrônicas, tem potencial para reduzir seus níveis e interferir nos sinais do corpo sobre o momento adequado para dormir.
Melatonina
Os suplementos de melatonina podem ser eficazes quando os problemas estão relacionados ao ritmo circadiano. No entanto, para casos de insônia crônica, os resultados são menos conclusivos.
A utilização da melatonina pode acarretar efeitos colaterais como sonolência diurna, dores de cabeça, tontura, sonhos intensos, náuseas e desconforto gástrico. Em alguns indivíduos, pode até ocorrer o efeito oposto ao desejado: a insônia.
Independentemente da popularidade de cada suplemento, é importante considerar que seu uso pode encobrir causas subjacentes de distúrbios persistentes do sono.
A insônia crônica e outras condições associadas, como a apneia do sono, requerem avaliação médica adequada. O uso autônomo desses suplementos na tentativa de melhorar o descanso pode atrasar a identificação de problemas que necessitam atenção profissional.





