Saúde

Novo tratamento revolucionário para insônia desembarca no Brasil em 2023

Um novo tratamento para insônia está prestes a ser lançado nas farmácias brasileiras, com previsão de chegada ainda no segundo semestre deste ano. O medicamento, denominado Dayvigo, que corresponde ao princípio ativo lemborexante, será disponibilizado no Brasil através de uma colaboração entre as empresas farmacêuticas Eurofarma e Eisai, com um preço médio estimado em torno de R$ 200.

A fabricação do Dayvigo ocorrerá no Reino Unido sob a responsabilidade da Eisai. Já no Brasil, a Eurofarma ficará encarregada das estratégias comerciais relacionadas à venda, promoção e distribuição do produto.

O Dayvigo é destinado a adultos que enfrentam dificuldades tanto para adormecer quanto para manter o sono. Este medicamento representa uma nova classe de hipnóticos, distinta de outros já existentes no mercado, como o zolpidem. O lemborexante recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025 e já conta com autorização para uso em mais de 28 países, incluindo Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália.

A empresa Eisai, responsável pelo desenvolvimento da molécula, continuará gerenciando o registro do medicamento e definindo a estratégia global da marca.

O lemborexante se destaca como o primeiro fármaco da categoria dos antagonistas duplos dos receptores de orexina (DORA) aprovado no Brasil. Sua ação é distinta dos tradicionais medicamentos para insônia, pois atua na redução dos sinais que mantêm o cérebro em estado de alerta. Isso ocorre graças ao bloqueio da ação da orexina, uma substância cerebral relacionada à vigília. Com essa sinalização diminuída, a passagem do estado acordado para o sono se torna mais simples.

Pesquisas clínicas mencionadas pela Eisai sugerem que o medicamento pode diminuir o tempo necessário para que uma pessoa adormeça e ainda favorecer um sono mais prolongado. A empresa afirma que os efeitos benéficos foram sustentados ao longo de um período de 12 meses de tratamento, sem indícios de insônia rebote ou sintomas de abstinência após a descontinuação do uso.

Uma das principais distinções entre o lemborexante e o zolpidem reside na forma como afetam o cérebro. Enquanto o lemborexante inibe a ação da orexina — substância que colabora para manter a vigília —, o zolpidem atua sobre o sistema GABA, que diminui a atividade cerebral e favorece o sono.

Em uma entrevista anterior ao Pulsa, Lúcio Huebra, neurologista e membro da diretoria da Academia Brasileira do Sono, esclareceu que essa diferença pode minimizar alguns riscos associados ao tratamento. “Como esses medicamentos não têm seu mecanismo de ação vinculado ao neurotransmissor GABA, que é inibitório, as drogas da classe DORA apresentam menor potencial para dependência, tolerância e sintomas de abstinência”, afirmou Huebra.

No entanto, é importante ressaltar que o lemborexante pode provocar efeitos colaterais. Pedro Genta, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), também comentou sobre isso em uma entrevista anterior ao Pulsa. Ele destacou que podem surgir efeitos relacionados ao sono REM — fase em que ocorrem os sonhos mais vívidos. “É possível haver sonhos intensos e paralisia do sono”, concluiu Genta. As informações são provenientes do jornal O Estado de S. Paulo.

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